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A exceção

Work Text:

Estou a começar a estudar português, espero que seja pelo menos compreensível. Tenham piedade, por favor :')

 

A exeção

 

Raiva (Rosalie)

 

Diferente. Era o único que eu conseguia pensar, o único que ainda me atormentava.

Cedo, ela já não ia sê-lo. Ia escancarar os braços ao meu mundo, à escuridão, e a tudo o que eu sempre tinha fugido. Ia tornar-se exatamente como nós, e eu não tinha armas para pará-la.

Uma coisa entendei dos seres humanos, no momento que já não foi uma: eram terrivelmente insensatos quando acreditavam enfrentar algo mais grande deles.

Recolhei do jardim uma flor cor lilás, no meio do branco. Apertei-a nas mãos até que não ficou nada dessa. Agora as flores estavam uniformes. E Bella também ia está-lo cedo.

 

Inseguridade (Emmett)

 

Estava certo que ia gostar de tê-lo como irmã no momento que eu disse que sim pela sua transformação.

Depois, por uma vez, escutei a minha Rose. Quem éramos nós para fazer-lhe isso? O que ia acontecer quando ela tivesse percebido quanto pudesse ser deprimente a imortalidade?

Estávamos a oferecer-lhe uma família, mas a negar-lhe uma real, uma onde todos tivessem o mesmo sangue, essa era a teoria de Rose.

Mas não ia dizer nada a Bella, nem ainda menos a Edward. Ia deixar que ela colhesse essa oportunidade única, como teria colhido uma flor violeta num campo de flores brancas.

Ou seja, sem perceber quanto não natural fosse o seu gesto.

 

Esperança (Jasper)

 

Quem sabe se ela ia sentir toda essa sede. Quem sabe se ia ser capaz de resistir, de continuar a ser humana durante algum tempo, o tempo necessário para entender que ela já não o estava.

Eu era um raio de egoísta, quase esperava numa carnificina que demonstrasse que eu não era o fraco, que a sede pode ser prejudicial como qualquer veneno a que não se pode reagir.

Só teria gostado de que houvesse uma pessoa a menos a compadecer-me, a olhar para mim como se eu fosse a única flor duma cor diferente no meio dum campo.

Mas não ela. Não podia ser ela.

 

Confiança (Alice)

 

Sentia-me... feliz. Sempre fazia-me feliz ver as minhas previsões tornar-se em realidade, especialmente quando, por mim, estavam tão rosadas.

Bella ia tornar-se em parte da família, apesar do que Edward pudesse pensar disso, e eu ia fazer tudo para que se adaptasse, mesmo a ser consciente das dificuldades que ia enfrentar, dos obstáculos que a sua mesma natureza ia pôr à sua frente.

Como uma mancha de violeta numa extensão de candor, ia erradicar aquela impureza a nossa Bella, a ficar a de sempre. Só ela podia. Ela tinha a nós, e estava consciente disso. E eu não podia esperar de abraçá-la sem a latente sensação de querer saboreá-la.

 

Perplexidade (Esme)

 

Ver aquele olhar nos olhos de Edward tornou-me cega a tudo o resto. Estava tão feliz pele que esquecei pensar em Bella.

Viram a mim imagens da minha família, e do amor que compartilhávamos, capaz de superar as barreiras do tempo. Era o que todo mundo teria desejado, mas que nunca teria querido obter realmente. Dissonante, assim era Bella. Uma simples humana que sabia demasiado e que queria o que nem sequer se podia pedir.

Contudo, ia ser feliz. Pouco a pouco, ia deixar de ser a flor colorida no meio dum gramado, e ia estragar-se até tornar-se como nós. Uma de nós.

 

Remorso (Carlisle)

 

Nenhum deles podia compreender. Nunca tinham sofrido o peso das decisões assim como mim, não tinham o continuo remorso ditado por o pensamento que o seu próprio veneno estava cristalizado nas veias das pessoas que amavam.

Nunca foi simples, mas o sofrimento alheio tinha sido o meu álibi. O sofrimento de Edward primeiro, depois de Esme, depois de todos os outros era um pequeno prémio de consolação.

Bella era diferente. Teria sido como roubar a exclusividade duma flor que se destacava no meio do branco circundante. Uma flor que ia perder tudo o que não sabia de possuir.

A possibilidade de escolher.

 

Exceção (Edward)

 

Nunca deveria tê-lo feito. Já não havia rasto do rapaz com a vontade forte que me tinha acostumado a ser, tudo tinha caído frente a ela e a sua desarmante ingenuidade.

Como poderia explicar-lhe que o que enfrentava não era o paraíso, mas o mais lancinante dos infernos?

Teimosa e obstinada, e consciente de como me fazer desistir. Deveria ter resistido, a fingir de não conhecer a subtil arte do compromisso.

Respirei profundamente, e o meu olhar foi para uma mancha nas flores de Esme.

Solitária, única. Diferente.

Pensei colhê-la, mas desisti. Deixei lá a flor, para lembrar-me que existiam as exceções.