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Capítulo 01

Tinha passado dois meses desde a partida de Edward, Bella olhou pela janela do quarto com novo vigor, graças à Dra. Sanders, a psicóloga que o Dr. Gerandy recomendou, ela estava muito melhor. Tinha sido bom desabafar com alguém sobre o que acontecera, tirando a parte dos Cullen serem vampiros. Ela começou a perceber que a relação com Edward não era muito saudável. Ele foi o seu primeiro amor e soube aproveitar-se disso para assumir todo o controle do namoro deles.

Na última consulta a Dra. Sanders tinha sugerido que ela fosse a um lugar onde costumavam passar algum tempo juntos para tentar se despedir ou descobrir se ainda se sentia da mesma maneira sobre ele e era por isso que estava a tentar encontrar a clareira.

A mente dela ficou entorpecidos pelo ritmo dos seus passos e a sua respiração acalmou eventualmente a sua deixando-a feliz por não ter desistido. Bella notou que se movia mais rapidamente pela floresta, pelo menos até encontrar a clareira onde costumava estar com Edward. Sem a luz do sol o lugar não parecia nem um pouco fascinante mas ainda era bonito e sereno. Não havia flores selvagens, mas apenas erva alta que balançava na brisa leve. Ela sabia que este era o lugar mas tinha a certeza que não ia encontrar a resposta que procurava.

A decepção fê-la deslizar até ao chão, à beira da clareira e sentiu os seus pulmões pararem de funcionar. Porque ela devia seguir em frente? Não havia nada no seu futuro, apenas memórias do passado que ela só traria à superfície quando fosse capaz de lidar com a dor que lhe trariam, a dor que sentia agora e a deixou fria. Não havia nada neste lugar que a lembrasse dele. A clareira parecia vazia de atmosfera, vazia de tudo, como tudo o resto e como os seus pesadelos. A mente de Bella rodou confusa.

Só tinha um consolo, tinha vindo a este lugar sozinha e ninguém a veria quebrar em pedaços, curvada numa bola tentando evitar que o buraco no seu peito a partida em duas. Era muito melhor passar por isto sozinha, sem ter de explicar porque estava com tanta pressa para ir embora. Ela tentou encontrar forças para se levantar, tentando recuperar o controlo da sua respiração. A dor era demasiado para ela suportar, tinha de sair daqui nem que tivesse de se arrastar.

Que sorte que ela estava sozinha! Sozinha. Ela repetiu a palavra com grande satisfação enquanto se esforçava para ficar de pé apesar da dor. Precisamente nesse momento, uma figura saiu de dentro das árvores ao norte, a uns trinta passos de distância.

Uma desordem de emoções passou por ela em apenas um segundo. A primeira foi surpresa; ela estava distante de qualquer trilha aqui, e não esperava companhia. Então, enquanto os seus olhos se focavam na figura imóvel, vendo a incrível rigidez, a pele pálida, uma onda de esperança penetrante passou por ela. Ela a suprimiu com ferocidade, lutando contra a agonia igualmente afiada enquanto os seus olhos continuavam a olhar o rosto em baixo do cabelo preto, que não era o que ela estava esperando.

A próxima foi medo; esse não era o rosto pela qual ela vivia aflita, mas ele estava suficientemente perto dela para que ela soubesse que aquele homem não era nenhum mochileiro.

E finalmente, no fim, reconhecimento.

- Lauren! - ela falou com um surpreso prazer.

Era uma resposta irracional. Ela provavelmente devia ter parado no medo.

Laurent fazia parte do grupo de James quando ela o conheceu. Ele não esteva envolvido na caçada que se seguiu - a caçada na qual ela era a presa - mas isso foi só porque ele estava com medo; ela era protegida por um grupo maior do que o dele. Teria sido diferente se esse não fosse o caso - ele não tinha nada contra, naquela época, a ideia de a fazer de refeição. É claro, ele devia ter mudado, porque ele foi para o Alasca para viver com outro grupo civilizado lá, outra família que se recusava a beber sangue de humanos por razões éticas. Outra família como os... ela não conseguia me fazer pensar no nome.

Sim, sentir medo faria mais sentido, mas o que ela sentia era uma dominante satisfação. A clareira era um lugar mágico de novo. Uma magia mais negra do que a que ela estava esperando, com certeza, mas mágica do mesmo jeito. Aqui estava a conexão que ela buscava. A prova, mesmo que remota, de que - em algum lugar no mesmo mundo que ela - ele existia.

Era impossível o quanto Laurent parecia exatamente o mesmo. Ela achou que era muito bobo e humano esperar que as coisas mudassem tanto em um ano. Mas havia uma coisa... ela não conseguia identificar o que era direito.

- Bella? - ele perguntou, parecendo mais pasmo do que ela me sentia.

- Você lembra! - ela sorriu. Era ridículo que ela estivesse tão feliz porque um vampiro lembrava o seu nome.

Ele sorriu. - Eu não esperava te ver por aqui. - Ele andou na direção dela, com a expressão divertida.

- Isso não é ao contrário? Eu vivo aqui. Eu pensei que você tinha ido para o Alasca.

Ele parou a uns dez passos de distância, inclinando a cabeça para o lado.

O rosto dele era o rosto mais bonito que ela viu pelo que pareceu ser uma eternidade. Ela estudou o rosto dele com um ganancioso senso estranho de alívio. Ele era uma pessoa para a qual ela não precisava fingir - uma pessoa que já sabia de tudo que ela podia dizer.

- Você está certa, - ele concordou - Eu fui para o Alasca. Ainda assim, eu não esperava... Quando eu encontrei a casa dos Cullen vazia, eu pensei que eles haviam se mudado.

- Oh. - Ela mordeu o lábio quando o nome fez as beiras em carne viva da ferida dela doer. Ela levou um segundo para se recompor. Laurent esperou com olhos curiosos.

- Eles se mudaram - ela finalmente conseguiu dizê-lo.

- Hmm - ele murmurou. - Estou surpreso que eles tenham te deixado para trás. Você não era uma espécie de animal de estimação deles? - Os olhos dele estavam inocentes como se não tivessem a intenção de ofender.

Ela deu um sorriso torto.

- Alguma coisa assim.

- Hmm - ele disse, pensativo de novo.

Nesse exato momento, ela percebeu porque ele parecia igual - igual demais. Depois que Carlisle disse que Laurent havia ficado com a família de Tânia, ela começou a imaginá-lo, nas raras ocasiões em que pensava nele, com os mesmos olhos dourados que os... Cullen - ela forçou o nome a sair, estremecendo - tinham. Que os vampiros bons tinham.

Ela deu um passou involuntário para trás, e os seus curiosos, olhos vermelho escuros seguiram o movimento dela.

- Eles te visitam frequentemente? - ele perguntou, ainda casual, mas o peso dele se inclinou na sua direção.

- Minta - a linda voz aveludada sussurrou ansiosamente na sua memória.

Ela assustou-se com o som da voz dele, mas isso não devia tê-la surpreendido. Ele apenas aparecia quando ela fazia coisas perigosas por causa da promessa que ela fizera antes de ele partir. Ela não estava se submetendo ao maior perigo imaginável? Ela fez o que a voz lhe disse para fazer.

- De vez em quando - ela tentou fazer a voz ficar leve, relaxada. - O tempo parece mais longo para mim, eu imagino. Você sabe como eles podem ser distraídos... - ela estava começando a tagarelar. Ela teve que se esforçar para calar a boca.

- Hmm - ele disse de novo. - A casa cheirava como se estivesse vazia já há algum tempo...

- Você precisa mentir melhor do que isso, Bella - a voz disse com urgência.

Ela tentou. - Eu vou ter que dizer a Carlisle que você esteve aqui. Ele vai ficar triste por ter perdido a sua visita. - Ela fingiu estar pensando por um segundo. - Mas eu provavelmente não devia mencionar isso para... Edward, eu acho - ela mal conseguiu dizer o nome dele, e isso fez a sua expressão se contorcer, arruinando o seu blefe. - Ele tem um temperamento forte... bem, eu tenho certeza de que você se lembra. Ele ainda está nervoso com aquela coisa de James. - Ela revirou os olhos e abanou displicentemente com uma mão, como se isso fosse uma história antiga, mas havia uma pontada de histeria na sua voz. Ela se perguntou se ele poderia reconhecer o que isso era.

- Ele está mesmo? - Laurent perguntou prazerosamente... e ceticamente.

Ela manteve a resposta curta, para que assim a sua voz não deletasse o seu pânico. - Mm-hmm.

Laurent deu um passo casual para o lado, olhando ao seu redor na pequena clareira. Ela não deixou de reparar que o seu passo o trouxe para mais perto dela. Na sua cabeça, a voz respondeu com um rosnado baixo.

- Então como estão as coisas em Denali? Carlisle disse que você tinha ido ficar com Tânia? - a sua voz estava alta demais.

A questão fez ele parar. - Eu gosto muito de Tânia - ele meditou. - E da sua irmã Irina ainda mais... eu nunca havia ficado tanto tempo em um só lugar, e eu aproveitei as vantagens, as novidades de tudo. Mas as restrições eram difíceis... Eu estou surpreso que eles tenham conseguido aguentar por tanto tempo - ele sorriu para ela de forma conspiradora. - Às vezes eu trapaceio.

Ela não consegui engolir. Os seus pés começaram a ir para trás, mas ela ficou congelada quando os seus olhos vermelhos olharam para baixo para captar o movimento.

- Oh - ela disse com uma voz fraca. - Jasper tem problemas com isso também.

- Não se mova - a voz sussurrou. Ela tentou fazer o que ele instruía. Era muito difícil; o instinto de fugir era quase incontrolável.

- Mesmo? - Laurent pareceu interessado. - Foi por isso que eles foram embora?

- Não - ela respondi honestamente.- Jasper é mais cuidadoso em casa.

- Sim - Laurent concordou. - Eu sou também.

O passo à frente que ele deu agora foi de propósito.

- Victória encontrou você? - Bella perguntou, sem fôlego, desesperada para distraí-lo. Essa foi a primeira pergunta que lhe veio à mente, e ela arrependeu-se de ter dito as palavras assim que ela saíram. Victória - que havia a caçado com James, e depois desaparecido - não era alguém em quem ela queria pensar nesse momento em particular.

Mas a pergunta parou-o.

- Sim - ele disse, hesitando no passo. - Na verdade eu vim aqui como um favor para ela - Ele fez uma careta. - Ela não vai ficar feliz com isso.

- Com o que? - ela disse ansiosamente, o convidando a continuar. Ele estava olhando para as árvores, para longe dela. Ela tomou vantagem na distração dele, dando um passo furtivo para trás.

Ele olhou de volta para ela e sorriu - a expressão fez ele parecer um anjo de cabelos pretos.

- Eu matar você - ele respondeu com um ronronar sedutor.

Ela vacilou em outro passo para trás. O rosnado frenético na sua cabeça tornava difícil escutar. - Ela queria salvar essa parte para si própria - ele continuou, alegremente. - Ela está meio... aborrecida com você, Bella?

- Comigo? - ela guinchou.

Ele balançou a cabeça e gargalhou.

- Eu sei, parece um pouco estranho para mim também. Mas James era o parceiro dela, e o seu Edward o matou.

Mesmo aí, à beira da morte, o nome dele rasgou as paredes não cicatrizadas da sua ferida como se a estivesse serrando.

Laurent não estava consciente da reação dela. - Ela achou mais apropriado matar você do que Edward - um troco justo, parceiro por parceiro. Ela me pediu para ficar de olho na terra deles, por assim dizer. Ela não podia imaginar que seria tão fácil te pegar. Então talvez o plano dela falhe - aparentemente não era a vingança que ela havia imaginado, já que você não deve ser tão importante para ele já que ele te deixou aqui desprotegida.

Outro golpe, outra ferro cravou no peito dela. O peso de Laurent se moveu levemente, e ela deu outro passo para trás. Ele fez uma careta. - Eu acho que ela vai ficar zangada, do mesmo jeito.

- Então porque não esperar por ela? - ela gaguejou.

Um sorriso maquiavélico transformou o rosto dele. - Bem, você me pegou num momento ruim, Bella. Eu não vim para esse lugar por causa da missão de Victória - eu estava caçando. Eu estou com muita sede, e o seu cheiro é... simplesmente de dar água na boca.

Laurent olhou para ela com aprovação, como se ele estivesse falando sério quando a cumprimentou.

- Ameace ele - a linda voz da ilusão ordenou, a voz dele estava desorientada de medo.

- Ele vai saber que foi você - ela sussurrou obedientemente. - Você não vai se safar dessa.

- E porque não? - o sorriso de Laurent cresceu. Ele olhou ao redor para a pequena abertura das árvores. - O cheiro vai ser lavado na próxima chuva. Ninguém vai encontrar o seu corpo, você simplesmente terá desaparecido, como tantos, tantos outros humanos. Não vão haver motivos para Edward pensar em mim, se ele se importar o suficiente para investigar. Não é nada pessoal, Bella, eu te asseguro. Só sede.

- Implore - a alucinação implorou-lhe.

- Por favor - ela asfixiou.

Laurent balançou a cabeça, seu rosto estava gentil. - Veja dessa forma, Bella. Você tem muita sorte que fui eu quem te encontrou.

- Eu tenho? - ela murmurou, arriscando outro passo para trás.

Laurent seguiu, leve e gracioso.

- Sim - ele assegurou-a. - Ela serei bem rápido. Você não vai sentir nada, eu prometo. Oh, eu vou mentir para Victória sobre isso mais tarde, naturalmente, só para aplacar ela. Mas se você soubesse o que ela tinha planejado para você, Bella... - ele balançou a cabeça com um movimento lento, quase com desgosto. - Eu juro que você estaria me agradecendo.

Ela olhou para ele horrorizada.

Ele fungou a brisa que soprava o cabelo dela na direção dele. - De dar água na boca - ele repetiu, inalando profundamente.

Ela ficou tensa para sair dali, os seus olhos piscavam enquanto ela tentava se afastar, e o som do rosnado enfurecido de Edward ecoava no fundo da cabeça dela. O nome dele escapou pelas paredes que ela havia construído para pará-lo. Edward, Edward, Edward. Ela ia morrer. Foi aí que ela percebeu, ela não queria morrer, nem mesmo por Edward.

Pelos seus olhos apertados, ela viu Laurent parar no meio do ato de inalar e virar a cabeça rapidamente para a esquerda. Ela estava com medo de tirar os olhos dele, de seguir a direção do seu olhar, apesar de que ele já não precisava mais de nenhum truque ou nenhuma distração para a pegar.

Ela estava muito surpresa para se sentir aliviada quando ele começou a se afastar dela.

- Eu não acredito nisso - ele disse, a voz dele estava tão baixa que ela quase não a ouvia.

Então ela teve que olhar. Os seus olhos vasculharam a clareira, procurando pela distração que havia estendido a vida dela em mais alguns segundos.

No início ela não viu nada, e o seu olhar voltou para Laurent. Ele estava se afastando com mais velocidade agora, os olhos dele fixos nela; uma enorme figura preta saiu das árvores, quieta como uma sombra, e perseguiu de propósito na direção do vampiro. Era enorme - alto como uma casa, só que mais grosso, muito mais musculoso. O longo focinho fez uma careta, revelando uma longa fileira de dentes afiados como adagas. Um horrível rosnado saiu pelos seus dentes, rompendo pela clareira como o barulho de um trovão prolongado.

O urso. Só que aquilo não era um urso de jeito nenhum. Mesmo assim, aquele enorme monstro preta tinha que ser a criatura que andava causando o alarme. De longe, qualquer um presumiria se tratar de um urso. O que mais poderia ter uma estrutura tão vasta, tão poderosa?

Ela desejou ter sido sortuda o suficiente para vê-lo de longe. Ao invés disso, ele caminhava silenciosamente na grama a menos de dez pés de onde ela estava. Ela olhou para a criatura monstruosa, a sua mente borbulhando enquanto ela pensava num nome para dar para ela. Havia uma aparência canina bastante distinta no formato dele, no jeito como se mexia. Ela só podia pensar numa possibilidade, travada de horror como estava. Ela nunca tinha imaginado que um lobo podia ficar tão grande.

Outro rosnado saiu da sua garganta, e ela se encolheu com o som. Laurent estava tentando voltar para a beira onde ficavam as árvores, e, por baixo do terror que a congelava, a confusão passou por ela. Porque Laurent estava fugindo? Com certeza, o lobo era de um tamanho monstruoso, mas era só um animal. Por que razão um vampiro teria medo de um animal? E Laurent estava com medo. Os olhos dele estavam esbugalhados de horror, como os dela. Como se isso respondesse a minha pergunta, de repente o lobo do tamanho de um elefante não estava mais sozinho. Saindo dos dois lados da clareira, outras duas bestas gigantes se arrastaram para dentro da clareira. Uma era de um cinza escuro, o outro marrom, mas nenhum era tão grande quanto o primeiro. O lobo cinza saiu das árvores a apenas alguns centímetros dela, com os olhos grudados em Laurent.

Antes mesmo que ela pudesse reagir, mais dois outros lobos os seguiram, alinhados como um V, como gansos voando para o sul. Isso significava que o último monstro marrom que entrou na clareira estava perto o suficiente para ela tocá-lo.

Ela deu um suspiro involuntário e pulou para trás - que foi a coisa mais estúpida que ela podia ter feito. Ela congelou de novo, esperando que os lobos se virassem para ela, a presa muito mais fraca e vulnerável. Ela desejou brevemente que Laurent começasse a destruir o grupo de lobos - isso devia ser fácil para ele. Ela achou que, entre as duas escolhas há frente dela, ser comida por lobos era certamente a pior opção. O lobo mais próximo dela, o marrom avermelhado, virou a cabeça levemente com o som do suspiro. Os olhos do lobo eram escuros, quase pretos. Ele olhou para ela uma fração de segundo, seus olhos profundos pareceram inteligentes demais para um animal selvagem.

Ele encarou-a, instintivamente ela pensou em Jacob, de repente lembrando-se das lendas Quiluetes, seria possível que fossem verdadeiras? Se fossem reais, eles estavam atrás dos vampiros e ela estava segura. Então outro rosnado baixo do líder fez a cabeça do lobo se virar, na direção de Laurent.

Laurent estava olhando para o monstruoso bando de lobos monstruosos com um inexplicável olhar de choque e medo. Primeiro ela não conseguiu entender. Mas ela ficou atordoada quando, sem nenhum aviso, ele se virou e desapareceu entre as árvores. Ele fugiu.

Os lobos foram atrás dele num segundo, se espalhando pela grama com passadas poderosas, rosnando e fazendo estalos tão altos que ela levantou as mãos instintivamente para cobrir os ouvidos. O som desapareceu com surpreendente velocidade assim que eles desapareceram na mata.

E então ela estava sozinha de novo, os joelhos tremerem em baixo dela, e caiu em cima das suas mãos, soluços se construindo na sua garganta. Ela sabia que tinha que ir embora, e tinha que ir agora. Por quanto tempo os lobos iam caçar Laurent antes de voltarem? Ou Laurent ia se virar contra eles? Seria ele quem voltaria à procura dela?

Porém, primeiramente ela não conseguia se mexer; os braços e pernas dela estavam a tremer, e ela não sabia como voltar a ficar de pé. A sua mente não conseguia superar o medo, o horror ou a confusão. Ela não entendia o que havia acabado de testemunhar.

Um vampiro não devia fugir de cachorros crescidos daquele jeito. Que mal os dentes dele poderiam fazer á sua pele de granito? E os lobos devem ter dado a Laurent um longo espaço. Mesmo que o tamanho extraordinário deles os tenha ensinado a não temer nada, ainda não faziam nenhum sentido que eles o perseguissem. Ela duvidava que a pele de mármore gelado dele cheirasse como comida. Porque eles iam passar alguma coisa com sangue morno e fraca como eu para perseguir Laurent? A não ser que as lendas Quiluetes fossem reais.

Uma brisa fria passou pela clareira, balançando a grama como se alguma coisa estivesse em cima dela. Ela ficou de pé, afastando-se mesmo que o vento estivesse passando por ela sem lhe causar danos. Tremendo de pânico, ela virou-se e correu em linha reta entre as árvores.

O medo era tanto que não demorou muito tempo para encontrar a carrinha e ir rapidamente para casa, felizmente Charlie não estava em casa. Bella fechou a porta da casa e foi tomar um banho, queria tirar o cheiro a suor e relaxar um pouco. Estava a descer as escadas depois de vestir uma camisola castanha escura e uns jeans pretos quando bateram à porta, ao ver o Jacob Black teve as suspeitas confirmadas. Ele estava mais alto, mais forte e tinha cortado o cabelo. Lembrou-se de Charlie ter mencionado que ele tinha tido mono no mês passado e percebeu que era mentira, deve ter tido a ver com ele tornar-se um lobo gigante.

- Entra – disse Bella, depois de abrir a porta. - Senta-te.

- Acho que sabes porque estou aqui - Jacob disse com uma careta. - Deves saber mais sobre isto que eu. Sam pediu-me para te perguntar se sabes porque aquele sanguessuga veio aqui e pelo que vi na clareira acho que ele tem razão.

- Há quanto tempo descobriste que era real? – Bella perguntou com uma careta enfeitando o seu rosto.

- Um mês. – Jacob falou com raiva evidente na sua voz. – O que não consigo compreender é porque foste namorar um deles mesmo depois de saberes o que eles eram!

- Pensei que ele fosse diferente mas mostrou-se igual aos outros. – Bella estremeceu de forma visível. - Em reposta à tua pergunta, Laurent queria me a mim, como um favor a Victória. - a voz dela tremeu ao dizer o nome dela.

- Porquê? – Jacob não entendia a razão para isso.

- Os Cullen mataram James, o companheiro dela para me protegerem. – Bella suspirou. - Ela quer vingança, um companheiro por um companheiro, apesar se Edward não ser meu companheiro, se fosse ele não teria conseguido me deixar.

- Ela não vai desistir pois não? - Jacob olhou-a com preocupação, apesar de tudo ele gostava de Bella mesmo sabendo que ele não podia ficar com ela. - Vamos fazer o melhor para te proteger, espero que saibas disso.

As semanas seguintes passaram rapidamente, ela passava o seu tempo livre com o Jacob e o bando. Bella e Jacob acabaram por se tornar os melhores amigos, para desapontamento do Charlie que esperava mais que isso.

Estavam em Dezembro quando Charlie lhe contou sobre a proposta de ser co-xerife em Mystic Falls, eles não iam lá há anos desde que a vovó Marie Swan tinha morrido, Ela devia ter uns 4 anos. Bella sabia o perigo que corriam em Forks, Victória podia aparecer quando quisesse por isso encorajou Charlie a aceitar, afirmando que podiam se mudar durante as férias de Natal. Charlie estava tão feliz por a ver entusiasmada além de ter pensado que a mudança iria ajudá-la a esquecer o que tinha acontecido com Edward.

No mesmo dia ele deu-lhe a carta da vovó Marie, juntamente com uma caixa que ele devia ter-lhe dado no seu aniversário. Com tudo o que acontecera ele tinha achado melhor esperar até Bella melhorar. Charlie esperou para ver a reação dela ao ler o que estava escrito.

- Isto não pode ser verdade. - olhou-o com dificuldade em aceitar o que estava escrito na carta. - Como assim somos descendentes de bruxas elementares? E existe outra espécie de vampiros e lobisomens de verdade, além dos metamorfos da reserva?

- Só sei o que a minha mãe me contou, por isso não percebi de imediato o que os Cullen eram. - Charlie disse pegando nas mãos da filha. - Se soubesse não teria deixado que te aproximasses deles. Tentei deixar tudo isso para trás quando conheci a tua mãe, contudo com esta oferta de trabalho achei melhor estares preparada para o que podemos encontrar lá. A tua avó disse que serias a bruxa Swan mais poderosa, que devia fazer tudo para estares a salvo até os teus poderes serem libertados.

- Ela sei que fizeste o teu melhor pai. Não precisas te preocupar, eu vou ficar bem.

Bella deixou o Charlie na cozinha e depois de lhe dar um abraço foi para o quarto. Abriu a caixa e sorriu ao ver um livro que parecia muito antigo. Quando leu a primeira página descobriu que era um grimório com a história da família, explicava como usar os poderes e os feitiços que tinham feito e como fazê-los.

- Como a herdeira dos Swan peço pelos meus poderes. Dá-me os meus poderes - disse seguindo as instruções do livro e preparou-se para o que viria. Isto ia doer e não ia ser pouco.

A mudança durou o resto do dia e a noite toda. Ela sentiu como se fosse transformada em todos os elementos, um de cada vez, primeiro o fogo, depois a água, o ar, a terra, o corpo e a mente. Durante as próximas semanas compreendeu o quanto tinha mudado. Ela ficou mais forte e mais rápida, o seu cabelo cresceu até à sua cintura e ficou mais avermelhado e o castanho escuro quase tinha desaparecido. O seu corpo estava mais voluptuoso, com curvas que ela nunca esperara ter e o problema de equilíbrio tinha desaparecido. Bella aprendeu a controlar os elementos, um de cada vez e tirava a sua força deles, também descobriu que teria uma vida muito mais longa a menos que a matassem. A partir de agora ela só ia envelhecer um ano a cada cem que passassem. Quando chegou a hora de irem para Mystic Falls, Bella já tinha controlo absoluto sobre todos os seus poderes.