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Hace un Instante

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Cap 1 - First thing first

 

Era um dia infernal. 

Um dia importante. E portanto, infernal.

Em exatamente uma hora e quinze minutos ela teria um teste para um papel na televisão. Seria perfeito para sua nova carreira, que só estava começando. Ela havia passado as últimas duas semanas se preparando para tal teste. Rezando para que no dia tudo saísse conforme o planejado. 

Não que rezar adiantasse, especialmente entre aqueles que são descrentes. Mas não impedia que ela enviasse aos céus seu apelo "Por favor, que tudo dê certo". 

Após anos vivendo uma vida na passarela, Rose havia decidido que era hora de buscar o que ela queria, buscar algo que ela amasse. E esse teste poderia oferecer isso a ela. 

Mas um dia importante sempre sairia dos trilhos, e conforme a lei de Murphy, se as coisas pudessem dar errado então, iam dar errado. 

Tudo começou na noite anterior com uma briga sobre alguma frivolidade sem sentido. Royce, seu namorado - que há uma semana era ex - fez algum comentário de má fé em relação a sua maneira de arrumar sua casa, o que levou a uma discussão que por sua vez levou a comentários nada graciosos sobre seu teste, e a sua nova profissão.

-"Você sabe que não tem talento o suficiente para conseguir um papel desse sem um teste de sofá" - Royce havia tido com tanta convicção que Rosalie quase acreditou. 

No fim da noite, Rose terminou gritando e arremessando objetos na direção daquele que ela dizia amar. Seu roteiro do teste se perdeu no meio da confusão e sua paciência e vontade de estudá-lo foi por água abaixo. Quando ela foi se deitar, suas esperanças de mudar a carreira foram minguando na proporção que suas lágrimas iam caindo. 

No dia seguinte ela acordou atrasada. O estresse da noite passada a fez dormir mal. Seu corpo e sua cabeça doía por ter passado grande parte da noite chorando. Não ajudava o fato de que Royce ainda estava em seu apartamento. Estirado em seu sofá e resmungando que ela estava atrasada na preparação do café do manhã. Sem se importar com seus comentários, Rose correu para se arrumar. Tomar um bom banho e tentar amenizar as manchas escuras abaixo de seus olhos. Durante todo o tempo, foi repassando o roteiro na cabeça, tentando se lembrar de todos os detalhes e anotações para conseguir fazer uma atuação impecável.

Era uma história interessante. Baseada em um romance literário. Uma mistura de contos de fadas com filmes de terror. O papel seria para a protagonista da série. Uma mulher rodeada de misticismo e esoterismo. Herdeira de uma posição a muito esquecida no mundo dos homens. Mas muito bem guardada e muito admirada em seu mundo. Um lugar entre a terra e o além. Algo no meio. A protagonista Katherine Grace, sem saber do destino planejado para ela por sua tia, se encontra no meio de uma batalha sangrenta, sem saber como fora parar ali e como aquele momento iria a levar para uma das maiores histórias de amor que Rose já ouvira.

A cena que Rose iria interpretar em seu teste seria com o protagonista. Uma cena onde os dois principais tinham uma intensa briga de um casal. E após isso uma cena de reconciliação entre os dois. Segundo sua amiga e assessora era mais um teste de química. Os produtores procuravam alguém que tivesse uma química especial e convincente com o ator escolhido para o papel de Robert Bruce. Rose só conseguia pensar na sorte desse ator, ser escolhido tão rapidamente para tal papel. Ela deu um Google sobre ele. Um escocês alto e moreno que já havia participado de alguns papéis principais em filmes, nada muito famoso, mas ele era mais experiente que ela o que a deixava ainda mais nervosa para o teste que se aproximava. Emmett McCarthy era seu nome, dois anos mais velhos e muitos centímetros mais alto, Rose não via como não poderia ter química entre ele e qualquer mulher no mundo. Ele era o típico cara perfeito, bonito, alto, musculoso e ao que tudo indicava (pelas suas publicações no twitter) engraçado e minimamente decente. 

Mas o dia era infernal. Dentro do táxi no meio do trânsito horrível de L.A. Rose percebia que chegaria atrasada no dia mais importante de sua vida. Esme - sua amiga e agente de muito tempo - iria matá-la se ela não chegasse na hora. E ao que tudo indicava hoje seria o dia de sua morte. Os carros mal saiam do lugar, e pensar em andar até o estúdio estava fora de cogitação. 

Terminou sua maquiagem no banco traseiro do táxi, e se pôs a reler o roteiro que tinha em mãos (encontrado dentro do cesto de roupas sujas no banheiro). Suas pernas batiam agitadamente uma na outra. Os joelhos se chocando e produzindo um pequeno choque a cada toque. Seus dedos se enrolavam e desenrolavam freneticamente em um dos cachos de seus cabelos loiros. O taxista talvez tenha percebido sua presa, ou tenha se infaturiado com os seus tiques nervosos e pegando uma saída procurou uma outra rota para o estúdio. 

Quarenta e cinco minutos depois e 12 minutos atrasada Rose chegara ao seu destino. Esme estava a esperando na frente com um cara que dizia que ela poderia matá-la com as próprias mãos se fosse necessário. Rapidamente as duas se dirigiram para a sala onde estariam realizando o tal teste. Durante todo o caminho Esme ficou despejando broncas, a repreendendo pelo atraso. Rose se desculpou veemente mas não houve sucesso em fazer Esme parar de falar. Assim que chegaram ao tal lugar, Rose pensou que seu coração iria parar de bater. Suas palmas estavam suadas, mas ela tentou transparecer calma e confiança, enquanto Esme conversava com os produtores e eles lhe explicavam o que seria feito e o era esperado dela. Assim com um pedido de desculpas pelo atraso, ela estendeu a mão ao seu parceiro de cena.