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O Primeiro Obstáculo

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O som de gritos agonizantes ecoava no quarto de Dudley Dursley, embora em um volume baixo; o garoto de nove anos apertava freneticamente os botões do computador, aniquilando todos os inimigos em seu jogo. Era sobre assassinos se infiltrando em uma base, eles eram armados com espadas longas e finas, e se moviam com rapidez eficiente, matando todos que viam pela frente.

Se sua mãe soubesse do que o jogo se tratava, nunca o teria comprado, mas não é como se Dudley a tivesse mostrado a caixa, ele somente pediu e ela distraidamente aceitou. Petúnia estava agindo estranhamente fora de tudo ultimamente, e maltratava Harry mais do que o normal.

Harry era seu primo idiota, um esquisito que vivia no armário debaixo da escada e fazia suas tarefas domésticas. Dudley nunca prestou muita atenção nele, a não ser as ocasionais surras em que dava no garoto mais novo, mas sabia que ele era filho de sua tia, irmã de sua mãe, que estava morta, e era uma aberração que fazia coisas ruins e estranhas acontecerem; pelo menos foi isso que seus pais disseram.

Ele foi tirado de seu devaneio por um chamado de sua mãe:

- Dudinha! Venha jantar!

- Já vou, mãe! Só vou acabar essa partida! – Ele gritou de volta, sem nem mesmo desviar os olhos da tela.

Quando desceu, seus pais já estavam à mesa, e Harry estava tirando a comida das panelas e colocando em recipientes rasos. Sua mãe se levantou e foi até o garoto, quando passou por ele em direção a geladeira, sussurrou em um tom ríspido:

- Se apresse! - Ela deu um tapa na orelha de Harry, o fazendo tropeçar e quase derrubar toda a comida, felizmente, ele conseguiu se equilibrar a tempo.

- Cuidado para não derrubar tudo, garoto! Ou vai ficar sem jantar por uma semana! – Exclamou Vernon, seu rosto já vermelho de raiva.

- Sim, Tio Vernon – Respondeu Harry, baixinho, e carregou tudo para a mesa. Petúnia foi até a geladeira e tirou um recipiente com uma tampa em cima, o pegou e voltou para a mesa com um sorriso enorme para Dudley, como se não tivesse acabado de bater em seu sobrinho.

- Veja Dudley! Preparei isso para você! É bolo de chocolate! – Ela tirou a tampa e revelou o enorme e saboroso bolo, Dudley já estava salivando, e pelo canto dos olhos, ele pôde ver que seu pai também.

O jantar correu tranquilamente, sem mais interrupções, até que Harry acidentalmente derrubou o suco que estava colocando para Dudley no colo do garoto, e o caos se iniciou.

Harry deixou cair a jarra, assustado, uma expressão de horror aparecendo em seu rosto, e deu passos vacilantes para trás, derrubando um dos vasos favoritos de sua mãe no processo, o conteúdo dentro se espalhando pelo chão. Nem um segundo depois, Dudley começou a berrar de raiva, gritando para Harry, que se encolheu no chão enquanto Vernon se elevava sobre ele, os punhos apertados e a veia pulsando na testa.

- COMO SE ATREVE A QUEBRAR O VASO DE PETÚNIA E JOGAR SUCO NO MEU FILHO?! SUA ABERRAÇÃO! – Berrava Vernon, enquanto chutava o garoto pequeno no estômago, Harry arquejou e saiu voando até atingir a parede oposta, caindo com um soluço sufocado de dor.

Petúnia se levantou e começou a levar Dudley para fora da sala, com uma mão tranquilizadora nas costas, desviando o olhar como se não suportasse assistir aquilo. O menino havia parado de gritar, e olhava para a cena com olhos arregalados.

Seu pai nunca havia agredido Harry fisicamente. Ele gritava com o garoto? Sim. O agarrava um pouco mais forte do que o necessário? Sim. Mas ele nunca havia chegado ao ponto de fazer uma coisa dessas, pelo menos não que Dudley soubesse.

O menino se deixou levar por sua mãe até o banheiro, onde ela lhe deu um banho, e depois o vestiu com pijamas. Petúnia o deitou na cama e lhe deu um beijo de boa noite, dizendo para ele não se preocupar com nada e não contar a ninguém sobre isso, ou coisas ruins aconteceriam.

Ele ficou olhando para o teto, só conseguiu dormir quando os gritos de seu primo pararam de ecoar no andar de baixo, e os passos pesados de seu pai subiram a escada e se dirigiram até o quarto principal.


Na manhã seguinte, era uma segunda feira, Petúnia fez o café da manhã, não havia nenhum sinal de Harry. Seu pai já havia saído para trabalhar, então Dudley estava sozinho na mesa.

Enquanto Dudley comia, pensando nos eventos da noite anterior, sua mãe saiu pelo corredor, e ele pôde ouvir o som ríspido dela acordando Harry e o levando para o andar de cima.

Dudley não entendeu, Harry nunca ia para o andar de cima, a não ser que fosse mandado limpar algo ou para ir ao banheiro. Agora isso parecia ter mudado. Dudley deu de ombros e continuou comendo seus ovos e bacon.


Dudley passou a semana inteira pensando no que aconteceu e no que faria, porque ele precisava fazer algo, ou pelo menos descobrir o que aconteceu no domingo. Finalmente, no último dia da semana, ele resolveu fazer algo.

Quando chegou na escola, na Sexta Feira, Dudley estava cheio de perguntas na cabeça, e hoje teria respostas. Quando o último período antes do almoço acabou, ele esperou todos saírem da sala e se aproximou da professora.

- Sra. Walters? – Ele perguntou, se aproximando da mulher. Ela levantou a cabeça de seus papéis e olhou para Dudley com um sorriso gentil.

- Sim, Dudley?

- Eu tenho uma pergunta – Disse Dudley, parando na frente da mesa da professora.

- Então pergunte, estou a sua disposição – Ela afirmou, cruzando as mãos sobre a mesa.

- Como chamamos uma situação em que um adulto chuta e grita com uma criança? – A Sra. Walter pareceu espantada com a pergunta, como se não esperasse uma coisa dessa de Dudley. Ela examinou cuidadosamente o rosto do menino e encontrou sinceridade, seu rosto ficou sério e ela colocou as mãos nos ombros do menino.

- Chamamos isso de abuso infantil, Sr. Dursley, você conhece alguma criança que sofreu ou sofre de algo assim?

Dudley hesitou, pensou sobre o que sua mãe lhe disse no início da semana, e colocou a expressão mais verdadeira no rosto que conseguia reunir.

- Não, Sra. Walters, eu estava apenas curioso, vi um texto sobre isso ontem e queria saber o que era.

A professora o soltou, e se recostou na cadeira com um suspiro pesado.

- Muito bem, vá para o almoço, Dudley, não resta muito tempo.

Dudley rapidamente saiu da sala, pensando no que descobriu. Ele não sabia o que abuso infantil significava, mas pelo menos tinha um lugar para começar sua pesquisa. Ele foi para o refeitório com um sorriso no rosto.


   Quando foi ao playground no dia seguinte jogar futebol com seus amigos, uma coisa estranha aconteceu.

Ele teve um acesso de raiva porque queria a bola para si, e, de alguma forma, ela saiu da mão de seu amigo e veio voando até ele, parando a seus pés.

Dudley sabia que coisas estranhas aconteciam em volta de seu primo, mas ele nunca pensou que essas coisas poderiam acontecer com ele. Ele se lembra que, quando Harry fica bravo ou chateado, coisas assim acontecem, mas o menino de cabelos escuros não estava aqui agora.

Ele olhou ao redor para ver seus amigos saindo correndo e gritando aterrorizados. Dudley arregalou os olhos ao pensar na reação de seus pais. Pensou no que eles vinham fazendo com Harry, no que seu pai fez no início da semana... então decidiu, eles não ficariam sabendo. Agarrou a bola e começou uma caminhada determinada para a biblioteca.

Quando chegou lá, perguntou para a bibliotecária onde ficavam as enciclopédias. A mulher lhe deu um olhar estranho, mas mostrou onde, depois saiu rapidamente. Ele deixou a bola no chão e se aproximou da estante. Tinham tantas, mas ele acharia.

Um tempo depois, a mesa de estudos estava cheia de enciclopédias abertas, mas, finalmente, ele achou uma, abrindo na página certa, começou a ler.

"O abuso infantil ou maus - tratos a crianças são maus – tratos físicos, sexuais e / ou psicológicos ou negligência de uma criança ou crianças, especialmente por um dos pais ou por um cuidador.

O abuso infantil pode incluir qualquer ato ou falta de ação de um pai ou responsável que resulte em dano real ou potencial a uma criança e pode ocorrer na casa de uma criança ou nas organizações, escolas ou comunidades com as quais a criança interage.

Abuso infantil e maus-tratos infantis são todas as formas de maus tratos físicos e / ou emocionais, abuso sexual, negligência, tratamento negligente, exploração comercial ou outros, resultando em danos reais ou potenciais à saúde da criança , sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade no contexto de uma relação de responsabilidade, confiança ou poder.

Abuso físico

O uso intencional de força física contra a criança que resulta em - ou tem uma alta probabilidade de resultar em - danos à saúde, sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade da criança.

Isso inclui bater, chutar, tremer, morder, estrangular, escaldar, queimar, envenenar e sufocar. Muita violência física contra crianças em casa é infligida com o objetivo de punir.

Negligência  

Negligência infantil é a falha de um pai ou outra pessoa responsável pela criança, em fornecer alimentos, roupas, abrigo, assistência médica ou supervisão necessários, na medida em que a saúde, a segurança ou o bem-estar da criança possam estar ameaçados. Negligenciar também é a falta de atenção das pessoas que cercam uma criança e o não fornecimento das necessidades relevantes e adequadas para a sobrevivência da criança, o que seria uma falta de atenção, amor e carinho."

Dudley fechou o livro com um estrondo, assustado. Seus pais eram monstros! Eles abusavam de Harry! Como puderam?! Ele é só uma criança! O que seu primo fez para eles?!

O menino de nove anos se levantou, decidido. Ele ia ajudar Harry, seu pobre primo maltratado. E pensar que, menos de uma semana atrás, a essa hora, estaria perseguindo Harry com sua gangue, querendo espancá-lo, Dudley balançou a cabeça, isso nunca mais aconteceria, ele nunca encostaria um dedo com más intenções em Harry novamente, ele devia ao primo, depois de tudo que ele passou.

Dudley pode não ter como impedir seus pais de abusarem Harry, mas ele ajudaria o melhor possível, nunca deixaria mais ninguém tocar em Harry de maneira ruim, ele ia proteger o menino mais novo.

A primeira coisa que ele tinha que fazer era pedir desculpas por tudo o que ele fez ao primo até agora. Ele sabe que foi uma pessoa má, mas agora se sente culpado, e quer se redimir.

Ele agradeceu a bibliotecária e saiu correndo da biblioteca, querendo chegar em casa o mais rápido possível. Quando chegou e chamou pelo primo, só ouviu um gemido silencioso em resposta, ele abriu lentamente a pequena porta do armário debaixo da escada e ofegou com a cena que desejava nunca ter visto.