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A Viagem

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          Era tarde da noite, quase duas da manhã, nevava calmamente do lado de fora do ônibus de viagem enquanto boa parte do pessoal dentro do veículo atentava-se em seus aparelhos ou conversavam baixinho entre si para não atrapalhar outros universitários que dormiam tranquilamente nos bancos confortáveis.

          Os estudantes da universidade South Redwood* estavam de férias naquele mês, devido ao Natal e Ano Novo que se aproximavam, por isso alguns de seus colegas de classe, ou colega de amigos, se juntaram para bancar uma viagem até Gualima*, uma cidade perdida no meio das montanhas ao norte do Colorado. Um local afastado de tudo apenas fazerem o que quiser sem restrições ou julgamentos de certas pessoas da cidade onde moravam.

          Claro, não fariam nada ilegal e muito menos se embebedariam no local, pelo menos Clyde e sua gangue não fariam. Eles estavam apenas seguindo até a cidade para esquiar e dormir nos chalés quentinhos das montanhas, ou tomar banho nas fontes termais que tinham ali. Porém, mesmo que estivesse tão animado com a viagem planejada há meses, havia algo que lhe preocupava, ou melhor, alguém que inquietava sua mente, e esta pessoa era seu amigo de infância: Tweek.

          Donovan não recordava tão bem como foi que o interesse pelo loiro tomou conta de si até chegar no estado de agora, onde estava sempre admirando o maior de longe e até mesmo quando estavam juntos. Clyde sabia que seu interesse era apenas em mulheres, no entanto, não compreendia porque tanta afobação sobre um cara, que era — ainda por cima — seu amigo. Entretanto, mesmo que questionasse tais dúvidas em sua cabeça, o jovem não conseguia resistir aos pensamentos, principalmente os que levavam diretamente para aquele dia no acampamento de verão, que ele e a gangue foram esse ano, nas férias do meio do ano.

 

          Sua gangue — na verdade o líder é Craig — estavam aproveitando o tempo livre no acampamento da cidade de Hidacate*, próximo a Pine, onde havia um local próprio para os acampamentos com diversas atividades. Era apenas algumas horas de viagem até lá, porém, muito bem aproveitadas. Os cincos rapazes — Clyde, Token, Craig, Tweek e Jimmy — adoravam o local, principalmente por conhecerem todo o pessoal, as atividades, a localidade e a rotina que se mantinha ali. Foram anos visitando a cidade nas férias do colégio ou da faculdade, tanto tempo fazendo a atividade, que foi adotada como um costume entre eles.

          Assim que chegaram lá, ajudando alguns dos escoteiros com os novos campistas, os jovens definiram atividades que todos deveriam fazer, no qual eles também participariam. Então, em uma delas, Clyde fizera dupla com Token e ambos fizeram jardinagem. Os amigos ajudavam os recrutas a cuidarem bem das plantas, a maneira certa de se regar, aterrar, podar e retirar as folhas secas. Todavia, num momento de distração, dois novatos começaram uma discussão, e em seguida, fizeram uma enorme bagunça.

          Como capitão do time de futebol americano, Clyde pôs-se logo a interferir na briga e botar ordem, mas os rapazes eram tão intensos e enérgicos que foi difícil pará-los, chegaram até a derrubá-lo na terra espalhada, fazendo Donovan entrar no confronto e acalmá-los de maneira mais brusca. Não fora tão forte, mas o soco que ele deu nos garotos silenciara aquela euforia por tempo suficiente. Assim que o escoteiro chefe chegou e avistou toda a confusão, deu uma advertência aos dois rapazes sem deixar escapar Clyde, que tomara uma atitude completamente errada na opinião do homem.

         Clyde ficou furioso, sim, mas se conteve porque sabia que não fora certo, porém, era o que viera a sua mente e não pôde conter. Justus, o escoteiro, deu apenas uma pequena punição ao jogador, fazendo-o limpar o local enquanto teria uma conversa mais severa com os encrenqueiros em sua cabine. Donovan bufou, entretanto, fez o que fora ordenado e passou a tarde toda naquela tarefa, enquanto Token continuava a ajudar os recrutas e outros campistas.

          Então, assim que tudo acabou, Black seguiu até a cabana de Justus para lhe entregar um relatório enquanto Clyde seguiu para a cabana — que era dividida entre várias pessoas, no caso, ele compartilhava o espaço com seus amigos — afim de um bom banho para se livrar de toda a terra espalhada em seu corpo.

 

          Foi então que aquilo começou, a maldita atração por Tweek Tweak.

 

          Ao abrir a porta do banheiro, que ficava ao fundo do cômodo, Donovan deu de cara com o loiro em pé, enxaguando seu corpo em um dos chuveiros sem divisórias, retirando toda a espuma de seu corpo. Clyde reparou em tudo que o loiro mostrava para ele.

          O abdômen do amigo era um tanto definido, havia uma tatuagem de um par de luvas de boxe na lateral de sua cintura, os bíceps eram muito bem marcados devido ao esporte que praticava, enquanto suas pernas malhadas vinham do resultado da corrida noturna que o rapaz adorava fazer nos dias que não tinha treino, e claro, o membro flácido e de tamanho razoável pendendo de sua virilha com alguns pelos loiros.

Clyde sequer sabia como conseguiu pegar esse detalhe, mas o fez.

 

          Os cincos, ou melhor, os quatros — pois Tweek nunca estava no meio —, eram acostumados a tomar banho juntos, pois no local não haviam divisórias para o momento e como todos acabavam suas atividades na mesma hora, isso quando não estavam juntos, era inevitável.

Porém, como todos eram homens e tinham o mesmo tipo de instrumento, ninguém se importava, tanto que muitas vezes Clyde gostava de comparar, confrontando o tamanho de seus pênis, ou peitorais, para saber quem tinha o melhor corpo.

          Clyde era sempre o vencedor, talvez não com o maior pênis, mas seu corpo era uma escultura e ele se orgulhava disso. No entanto, sempre que Tweak não estava com eles, Donovan desconfiava que poderia ser vergonha, mesmo quando o loiro olhava pra eles, com um sorriso convencido e dizia:

          — Se vocês me verem sem roupa, vão chorar de vergonha dos seus.

          O jogador nunca acreditou nisso, porque, bem... Tweek não parecia ser do tipo com um físico bonito, e ele sempre andava coberto, com camisetas e jaquetas por ser alguém muito friorento, dando a entender que ele era um rapaz tímido em se tratando de seu corpo.

Contudo, encarando o amigo na sua frente, quase virado para si, o moreno percebeu o quanto esteve errado.

          Tweek tinha o segundo melhor corpo de todos eles e ainda possuía um pênis consideravelmente bom.

         Quando Tweak percebera que estava sendo observado tão atentamente, na verdade tendo os olhos cravados no meio de suas pernas, ele sorriu e Clyde sentiu suas bochechas corarem ao perceber que fora pego admirando o corpo do amigo.

          — Eu disse que vocês iriam se espantar com meu corpo.

          Fora o que o loiro dissera antes de desligar o chuveiro e começar e enxugar. Clyde apenas saiu do local, deixando o amigo sozinho até se vestir enquanto sentia sua virilha formigar por alguma razão desconhecida.

         

          Clyde lembrava bem que depois daquilo, andou encarando muito mais vezes o amigo, principalmente os locais marcantes do corpo do maior e o volume em suas calças, que era quase imperceptível.

Ele tentou se controlar, e muito, porém, o pior de tudo era que Tweek passou a reparar nos seus olhares e assim, começou a encará-lo de volta.

          O moreno não sabia se era algum tipo de provocação ou se o maior aparecia em todos os cantos por acaso, mas aquilo estava o deixando louco. Principalmente quando ouviu de sua crush, Bebe, a líder de torcida do time da universidade, comentar sobre tensão sexual.

Donovan conhecia bem sobre sexo e coisas ligadas a isso, mas jamais imaginou que poderia sentir algo deste tipo por seu próprio amigo de infância. O pior de tudo era que conforme ele pensava sobre o assunto, mais seu corpo reagia a possibilidade, sentindo aquela sensação tão conhecida da excitação e tornando a ideia interessante.

          Já se pegara pensando sobre qual a temperatura que Tweek teria, apesar do loiro parecer sempre com frio, Clyde o imaginava sempre quentinho, logo, poderia ser daquelas pessoas que tinham as mãos geladas... entretanto Donovan se indagava como seria o cheiro do loiro, e como seria ter o pênis dele em suas mãos ou em sua boca...

          Donovan balançou a cabeça assim que a imaginação começou a tomar conta da sua mente e o calor se espalhar em seu corpo.

          “Droga, Tweek! Por que tinha que ser tão quente?”

          Se perguntava, sempre.

 

         

O jogador olhou em volta de onde estava, as pessoas ainda permaneciam quietas e diante de seu devaneio, outros estudantes foram dormir, cansados da viagem que ainda duraria mais algumas horas. Token, ao seu lado, já adormecera há algum tempo, deixando Clyde sozinho pois ainda não conseguia sentir sono, não com os pensamentos que invadiam a cabeça uma vez ou outra sobre a possibilidade de ver o amigo loiro sem roupas outra vez, ainda nessa viagem.

          Donovan revirou os olhos para si mesmo, todavia, congelou quando alguém tocou seu ombro e uma voz animada, porém baixa por conta do momento, invadiu seus ouvidos.

          — Cara, você não está com sono também? — Tweek que sentava atrás acompanhado de Craig, ainda permanecia acordado, o que fez Clyde indagar se isso se devia a quantidade absurda de café que o jovem tomou o dia todo.

          O moreno respirou fundo, apenas pelo susto que levara na hora, virou de lado, curvando-se com a cabeça de fora para olhar o amigo. O menor percebeu que Craig também dormia do lado do loiro, fazendo-o imaginar que ele também estaria entediado.

          — Pior que não. Só não consigo dormir nesses veículos. — Respondeu Clyde.

          O jogador não se sentia nervoso como aqueles bobos apaixonados, não, porque ele sabia que isso não era paixão e nem amor. Ainda assim, seu corpo queimava e sua virilha sempre formigava toda vez que uma oportunidade de estar sozinho com Tweek surgia, e estar no escuro com o loiro... era excitante.

          — E você tomou café demais! Não é à toa que está sem sono. — Comentou Clyde, como uma maneira de dissipar seus pensamentos, embora, fosse verdade.

          Tweak havia tomado café demais, ele chegara até a levar uma garrafa térmica com o café extraforte que seus pais preparavam — ou ele mesmo — e bebeu o caminho todo. Craig inclusive tentou pará-lo, pois o loiro estava nervoso, porém, fora em vão, ele acabara com o líquido no meio da tarde.

          — Não tenho culpa! Essas viagens me deixam nervoso demais, ainda mais à noite? Argh! — O loiro, apesar de parecer nervoso, mantinha sua voz suave.

          — Ei, Tweek, calma aí, cara! Nada vai acontecer! A gente sempre vai no meio da noite pro acampamento e nunca aconteceu nada. — Donovan se apoio no braço do assento e observou atentamente o amigo lhe encarar.

          Como as luzes do interior do veículo estavam uma boa parte acesas — acima dos assentos —, mesmo que o pessoal já estivesse descansando, o moreno pode analisar atentamente os olhos verdes-oliva do amigo.

          — Tá, mas a gente sempre vai com um veículo leve! Isso aqui deve pesar mais de doze toneladas e ainda tem 46 passageiros e um motorista! — Tweak mirava Donovan com expressão levemente alterada de preocupação, mesmo que ainda não estivesse mais surtando, como horas antes.

          — Cara, mas o motorista está devagar. E a estrada está bem tranquila agora, então, não vai ter problema. Você deveria se acalmar ou vai me deixar nervoso também!

          Realmente, Clyde ficava nervoso com facilidade, principalmente quase se envolvia situações extremas. Claro, ele tentava ao máximo não demonstrar isso em público, ainda mais quando se estava na frente do pessoal da faculdade que o idolatravam por ser o capitão e o melhor jogador do tipo da universidade. Afinal, sua imagem era tudo para eles e o moreno queria deixá-la excelente e sem defeitos. Porém, andar com o Tweek era complicado porque seus surtos de ansiedade eram contagiosos.

          O maior sorriu, apenas esticando suavemente os lábios para o lado. Deixando Clyde levemente desconcertado, o que Donovan tratou de disfarçar, pegando seu celular para conferir o horário no mesmo instante que o loiro se soltou do cinto de segurança do assento e se levantou.

          — Cara, eu quero ir no banheiro e comprar um café. Quer vir comigo? Não gosto de descer sozinho no meio da madrugada nesses postos.

          Clyde lançou um olhar surpreso para o loiro, que o encarava esperando uma resposta. O moreno deu de ombros, cogitando se deveria comprar alguma coisa também. No entanto, isso era apenas uma desculpa para si mesmo, para que não pensasse que estaria sozinho com Tweek, enquanto seu lado mais medroso apitava porque estaria sozinho com seu amigo em um posto qualquer quase às três da madrugada.

          Donovan respirou fundo e se soltou do seu cinto e se levantou, acompanhando o amigo até o motorista, pedindo para que parasse no próximo posto.

          Ambos ficaram em silêncio até que o motorista finalmente parou, onde ele também aproveitou para esticar suas pernas um pouco, enquanto todos dormiam.

          Os dois desceram até o local, sentindo o vento gelado da noite atingir seus corpos, junto aos flocos de neve, que mesmo muito bem cobertos podiam senti-los gelar com aquela brisa. Clyde colocou as mãos nos bolsos, como uma forma de se esquentar enquanto Tweek mantinha os braços rente ao corpo.

          Ambos caminharam sobre o piso cheio de neve, fazendo com que o som de seus passos ecoasse o local devido ao silêncio. Clyde caminhou com relutância, um pouco intimidado pela escuridão e pelo vazio do ambiente. Havia apenas o ônibus executivo em que estavam, o posto com suas luzes acesas e um ou outro carro do outro lado do estacionamento. Os postes iluminavam a estrada até certo ponto, onde o restante sumia ao horizonte. Nenhum carro estava na estrada e aquilo o preocupou um pouco. Era típico de uma cena de terror, dos mesmos que Tweek e Craig adoravam assistir.

          Donovan apressou seus passos e se juntou ao lado do loiro, que parecia mais tranquilo que ele.

         Assim que atingiram o lado do posto, onde se encontravam os banheiros, Tweek olhou para o moreno.

          — Você vai entrar? — Perguntou, encarando atentamente Donovan, que balançou a cabeça em um sim, sem nem pensar. Clyde obviamente não ficaria sozinho naquele local.

         

          O banheiro era comum, como qualquer outro banheiro de estabelecimento no meio de estradas, porém, pelo menos este, estava um pouco mais limpo que um anterior onde pararam horas atrás.

          Tweek tinha descido para comprar mais café assim que sua garrafa já tinha sido esvaziada e aproveitou para esvaziar sua bexiga, se arrependendo amargamente assim que adentrou o local imundo que era. O que fez desistir de comprar qualquer coisa e ficar sem sua preciosa bebida.

          O loiro seguiu até a pia e lavou sua mão, um costume que sempre tinha antes de fazer qualquer coisa, mesmo que fosse sujá-las logo em seguida. O maior levantou sua cabeça e analisou Donovan através do espelho. O rapaz olhava atentamente o espaço enquanto se aproximava de Tweek.

          Um sorriso brotou em seus lábios, assim que o menor parou ao seu lado, se escorando na parede, ao lado do espelho.

          Tweak sabia muito bem que Clyde estava diferente com ele, desde as férias de verão em que o amigo se surpreendeu com sua presença no banheiro, algo nele tinha mudado. No começo, o loiro ainda não tinha entendido o que era, porém, conforme os dias se passaram, começou a compreender.

Donovan era alguém fácil de se ler, porque sempre fora aberto para vários assuntos, falando aos seus amigos o que pensava, o que sentia e o que queria.

          Entretanto, assim que passou a encarar demasiadamente o loiro, ainda mais lançando olhares quase indiscretos sobre certas partes em seu corpo, Tweek não precisou de mais nada.

Já sabia.

         

Ele brincava muito com os meninos, sempre dizendo que ninguém resistiria ao seu corpo, porque era verdade. Ele sabia que aconteceria, pois aconteceu o mesmo com Craig, seu melhor amigo e também parceiro de foda, mesmo assim, jamais imaginou que Clyde Donovan iria cair naquilo.

          Era uma situação engraçada, porque o rapaz sempre fora um jovem que estava rodeado de meninas, desde o fundamental, por isso a surpresa, porém não achava ruim, na verdade a situação era adorável.

          Clyde sempre era cheio de atitude sobre os passos que daria com a pessoa interessada, pois Tweak já cansou de ouvi-lo sobre as táticas que usara com suas garotas, o que fizera para cortejá-las, para conquistar cada uma, e vê-lo completamente sem reação sobre algo fazia com que Tweek o achasse fofo.

          Tweek não era alguém que se abria para qualquer um, muito menos aceitava transar com qualquer pessoa, por isso mantinha uma relação regular com Craig, em quem o loiro confiava muito, porém, não veria problema nenhum se Clyde entrasse no meio. Ele gostava do amigo, por isso estaria confortável, ainda mais se fosse para realizar um desejo do capitão do time de futebol, que parecia que poderia enlouquecer em breve.

          O maior chacoalhou as mãos, espirrando um pouco de água pelo espelho e do balcão da pia, se dirigindo ao lado de Clyde para pegar papal-toalha e secá-las. O loiro encarava o moreno que sustentou seu olhar, mas que logo desviou, tentando sair do vão em que estava preso — entre o porta papel-toalha e o balcão da pia.

Mas, com agilidade de um lutador, Tweek surpreendeu Clyde quando espalmou sua mão pálida no peito do moreno e o empurrou contra a parede novamente.

          Os olhos de Donovan se arregalaram e sua respiração pesou. Seu corpo automaticamente ficou quente e formigou.

          Tweek ficou uma distância razoável do moreno, porém, era o suficiente para cada um sentir a respiração quente do outro e o cheiro típico de cada um.

          Donovan mordeu o interior de suas bochechas ao inalar o aroma de café do loiro, algo que achou tão a cara dele que imaginou não haver outra coisa que combinasse.

          — Cara, andei reparando que você anda me observando muito... — Declarou — E isso já está me incomodando há algum tempo.

A voz do maior estava séria, porém, Clyde achou que havia um quê de provocação nela.

          O moreno se viu perdido, porque sabia que enganar não adiantaria em nada. Sabia que já tinha demonstrado interesse demais e que o amigo teria reparado, Tweek era inteligente e sabia analisar tudo ao seu redor.

          Quando o loiro aproximou o rosto, Clyde engoliu em seco sentindo seu corpo queimar ainda mais, o que provavelmente fez suas bochechas arderem. O maior o encarava intensamente, e isso o deixou ainda mais mexido.

          Tweak sentia seu próprio corpo arder com aquela aproximação, sentindo o aroma quente de sândalo invadir suas narinas. Suas bochechas também coravam, ainda que isso sequer importasse, pois, a sensação angustiante de seu corpo vinha de sua virilha que começa a formigar.

          — Cara, você é muito quente... — Clyde deixou escapar assim que desviou o olhar dos olhos verdes-oliva de Tweek e encarou a boca rosada e farta do amigo se esticou em um sorriso satisfeito.

          O loiro se colou no corpo menor, que tinha um ótimo físico, sentindo toda a corrente de calor que vinha do moreno passar para o seu corpo, intensificando ainda mais o cheiro de sândalo que o moreno exalava.

          Donovan abriu a boca em surpresa, arfando com mais dificuldade ao sentir Tweek grudar em si e, de tanto que já tivera que empurrar seus pensamentos para o fundo da mente, sem a mínima paciência, o moreno colocou os lábios nos do maior, começando um beijo desesperado.

          Tweek, que fora pego de surpresa com o beijo repentino do amigo, se desestabilizou por um momento, mas logo recuperou o equilíbrio e retribuiu o beijo. Enfiando sua língua ao encontro da língua quente do menor, onde ambas se esfregaram em uma dança frenética.

          As respirações de ambos já estavam aceleradas a esse ponto, resultando em arfadas baixas em meio ao beijo picante que trocavam.

          Tweek juntou ainda mais seu corpo ao de Clyde, enlaçando um dos braços pela cintura do menor, colando assim seus membros que já começavam a despertar entre suas roupas, enquanto a outra, que ainda estava pousada no peitoral do moreno, desceu pelo tronco e se enfiou com dificuldade por debaixo de tantas blusas que Donovan usava, tocando a pele quente com suavemente até chegar a um dos mamilos.

          Donovan gemeu com o contato, tanto da ereção já formada, quanto da mão de Tweek em sua pele. O moreno passou seus braços pelo pescoço do rapaz, trazendo-o mais para si, enredou sua mão nos fios espetados do loiro e apertou.

          O loiro sentiu uma pontada de prazer ao ter seus cabelos puxados com precisão, fazendo seu pênis vibrar ainda mais com a sensação, foi quando apertou o mamilo de Clyde com força, fazendo-o urrar com o ato.

          Tweak desceu com sua língua da boca até o pescoço de Clyde, fazendo uma trilha com sua saliva. Assim que chegou ao local desejado, com a pele rosada pelo sangue fervente, o maior mordiscou com força o espaço, dando alguns chupões enquanto fungava o mais novo cheiro que descobrira a poucos minutos.

          — Aah... Tweek... cara, isso é... estranho demais... — Clyde ainda achava inusitada a sensação de estar se pegando com seu amigo, porém, não podia negar o quanto aquilo o estava deixando ainda mais interessado na situação.

          O moreno desceu uma de suas mãos até as calças de Tweek, apertando a ereção do loiro com força, enquanto uma mão ainda puxava os cabelos loiros e mordiscava sua orelha, gemendo baixinho com os estímulos que recebia do amigo. O maior grunhiu.

          — Ngh... Estranho? — Tweek riu próximo a orelha do menor, tentando manter a voz firme — Cara, você... está pegando no meu pau...

          Donovan riu, também próximo a orelha do outro, fazendo-o estremecer assim que, mais uma, vez Clyde apertou seu pênis.

          O loiro retirou sua mão de dentro da roupa do menor e o imitou, esfregando sua mão com força em cima do membro duro de Clyde. O maior voltou a beijar Donovan novamente, mantendo o mesmo ritmo do primeiro ósculo.

          — Tweek, aaah... cara, me deixe ver seu pau duro... — Pediu Clyde com esforço para manter a coerência da frase.

          O maior mordiscou os lábios já inchados do jogador, dando uma leve puxada ao mesmo tempo que parava os movimentos no meio das pernas de Clyde e o puxava mais rente a sua cintura.

          — Então era isso que você tanto queria? — Perguntou Tweek com a voz arrastada, em um sussurro sensual. Seus olhos verdes-oliva brilhavam em luxúria enquanto um sorriso lascivo se forma em seus lábios. Seu rosto estava corado, realçando ainda mais as sardas aparentes em suas bochechas e nariz.

          — Estou... curioso sobre isso... — Clyde também tinha a face rubra, ainda assim, neste momento estava longe de se sentir embaraçado com a situação para questioná-la. Estranho ou não, o moreno queria ir até o fim e realizar suas vontades.

 

          Não lhe custaria nada uma experiência nova.

 

          O jovem dos olhos verdes alargou ainda mais o sorriso, soltando o amigo que se assustou com o ato. Tweak seguiu até uma das cabines do banheiro, abriu e a conferiu. Estando consideravelmente limpa, o loiro sentou na tampa do sanitário fechado e olhou provocador para o menor, que corou ainda mais quando percebeu que Tweek estava o convidando a se juntar.

          Respirando fundo, Donovan seguiu até ela e automaticamente encostou a porta da divisória e se virou inquieto, mas completamente extasiado com a possibilidade do que aconteceria em breve. Sem conseguir tirar seus olhos do volume já tão perceptível naquela roupa, Clyde se espantou, sentindo sua boca salivar quando Tweek desabotoou sua calça, baixando o zíper e então descendo um pouco da calça junto a sua roupa íntima fazendo a ereção ali escondida saltar, já com a ponta escorrendo pré-gozo pela fenda.

          Clyde deu um passo hipnotizado pelo tamanho do pênis que Tweek tinha. Um contraste completamente diferente da vez que o vira sem roupa no acampamento de verão. O tamanho do membro ereto era praticamente o dobro de seu tamanho quando flácido, senão maior. Por um momento o moreno se perguntou onde o amigo escondia aquilo.

          Agindo impulsivamente, Donovan se ajoelhou de frente ao pênis enorme do maior, sem nunca desviar o olhar. Tweek sentiu seu corpo aquecer ainda mais, se isso fosse possível, grunhindo assim que sentiu a mão pesada e calejada de Donovan apertar ao redor de sua ereção, como se estivesse analisando-o.

          O moreno deu um empurrão experimental, sentindo em sua mão o pênis do loiro latejar. Fitou rapidamente Tweak, vendo-o morder o lábio inferior assim que repetiu seu gesto.

          Deslizou sua mão com força, subindo e descendo, tudo feito de maneira devagar. Explorou com seus dedos a cabeça rosada do membro do loiro, usando o indicador para fechar a fenda e puxar o líquido que por ali saía.

          Clyde ofegava junto com Tweek, sentindo toda a atividade lhe causar um imenso prazer, por isso fechou a mão novamente pela extensão pulsante do amigo, se encaixando entre as pernas do maior e se aproximando ainda mais de sua virilha, sentindo seu pênis fisgar com seus próprios movimentos.

          O jovem sentado respirava audivelmente enquanto assistia e sentia o jogador explorar seu pau. Era um prazer incrivelmente excruciante de ver o moreno tocá-lo de maneira curiosa enquanto seus olhos mostravam um imenso interesse sobre o que estava a sua frente e em sua mão.

          O menor continuou aproximando seu rosto até seu grande interesse e, sem aviso prévio, colocou o que coube da ereção de Tweek em sua boca. Ele sentiu o loiro solavancar com o susto, onde segurou sua cabeça firmemente para que não avançasse.

          Donovan olhou por baixo dos cílios, com os olhos enevoados, fazendo todo o interior de Tweak estremecer.

          — Agh... cara... você não precisa fazer isso... Com sua mão já seria ótimo...

          O jogador ficou um tempo pensativo, levando o loiro a concluir que ele desistiria, no entanto, foi totalmente ao contrário. Ele manteve uma mão sobre o membro de Tweak, como apoio para saber até onde deveria ir e a outra envolveu uma da coxa do loiro.

          — AAH... ngh... Porra, Clyde!

          Clyde rodou sua língua pela glande corada do loiro, forçando a colocar ainda mais o pênis em sua boca, aproveitando o momento de fraqueza de Tweek onde aliviara a pressão de sua mão sobre a cabeça de Donovan. O menor não fazia muita ideia do que deveria ser feito a outro cara, no entanto, diversas garotas lhe chuparam em momentos de sua vida, e Clyde utilizou essas experiências como base.

Porém, jamais imaginara o quanto esse ato de sugar poderia ser extasiante, até mesmo fazendo em outro cara.

 

          Tweek sentia a ponta de seu pênis bater no palato e deslizar no interior da boca de Clyde, escorregando facilmente pela língua quente do menor. O moreno investia com força em seu trabalho, contudo, com certa dificuldade para levar tudo na boca, engasgando algumas vezes assim que atingia a garganta, algo que ele já esperava. Entretanto, Donovan era bom, sabendo exatamente o que fazer naquela situação.

          E claro, o que completava a sua sessão de prazer naquele banheiro de postinho de estrada, era a visão nova que estava por baixo de si, um amigo de infância — que jamais imaginou chupando um cara — com uma expressão completamente interessante.

          — Cara... aah... v-você... você é bom nisso, sabia? Ngh... — Tweek disse com dificuldade.

          — Hmmm... — O loiro sentiu reverberar as ondas vocais por seu pênis, causando ainda mais prazer através de seu corpo — E... no que eu não sou... bom? — Clyde sorriu, um sorriso pervertido que aparecia sempre quando estava distraído folheando suas revistas Playboy, porém, de maneira muito intensa.

          Tweek achou que gozaria naquele momento, principalmente quando Donovan o chupou violentamente, causando um arrepio em sua espinha.

          O membro de Clyde latejava, ainda sofrido por baixo de suas roupas, como uma súplica para que tivesse um pouco de atenção. Porém, o moreno sequer precisava de algum estímulo sobre si. Apenas ouvindo os gemidos e respiração pesada de Tweek, sentindo o cheiro tão erótico que exalava de sua parte íntima, o gosto do pau quente em sua boca, e todo o momento tão novo lhe deixavam à beira de um orgasmo, enquanto gemia abafado pela ereção em sua boca.

          Clyde passou a acelerar ainda mais seus movimentos, principalmente ao sentir as mãos de Tweek apertarem seus cabelos com mais força ao movimentar sua cabeça com mais rapidez. O moreno olhou para cima, admirando as expressões eloquentes do loiro, fazendo seu pau vibrar e suas lamúrias se intensificarem juntas às do amigo.

          — Aah... ah... aaah... ca-ralho, c-cara... eu vou... aah...

          — Hmmng... hmmn...

          E então o corpo de Tweek queimou, sua mente começou se esvaziar, embranquecer. Clyde investiu com sua boca mais uma, duas vezes e o loiro apertou com força os cabelos do menor assim que seu corpo convulsionou, o esperma finalmente fluindo sobre a língua de Donovan.

          Aquilo havia sido o ápice para Clyde, que sentia algo crescer em seu corpo conforme a velocidade aumentava. O abraço que envolvia a coxa do amigo se apertou na perna musculosa e a mão sobre o pênis subiu e apertou a blusa que o maior usava. Donovan sentiu todo o líquido quente invadir sua boca em diversos jatos e sem tempo de engolir tudo, seu corpo espasmou, sentindo seu pênis se esvaziar em sua própria cueca.

          Tweak sorriu em meio as arfadas pesadas ao ver Clyde estremecendo sobre seus pés, apenas por chupá-lo, sem nem mesmo o loiro tocá-lo como queria muito fazer.

          Donovan retirou o membro do maior de sua boca e antes mesmo de poder respirar descentemente, Tweek o puxou para o beijo ofegante, aliviando a pressão em seu cabelo, que durou pouco.

          — Cara... você foi incrível, sabia? Ainda mais gozando desse jeito... Quem diria que estava tão desesperado assim. — O loiro sorriu lascivamente, corado e ainda com o corpo afetado pelo pós-orgasmo, fazendo Clyde enrubescer e esticar os lábios com a mesma expressão maliciosa de Tweek.

          — Eu sou incrível, cara... Desde sempre. E com um pau desses quem não ficaria com vontade? — Tweak riu.

          — Eu queria poder te retribuir isso, mas acho que demoramos demais. — O maior que já estava com a respiração e coração mais calmos, se aproximou do ouvido do rapaz ajoelhado — Podemos fazer algo interessante na próxima parada... Sabe, o banheiro do ônibus não é muito apertado...

          O jovem dos olhos verdes-oliva levantou do acento sanitário, ajeitando suas calças levemente arriadas e saindo do local, deixando Donovan completamente atordoado com o convite descarado para uma transa.

          O jovem estremeceu, corou e sorriu.