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Recollection & Foreboding

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"Eu tenho o meu caminho. Você tem o seu. Portanto, quanto ao caminho certo, o caminho correto, e o único caminho, isso não existe."

 

-- SEXTA, 18 de novembro. Tarde. Céu claro. --

 

Os dias se seguiram sem grandes incidentes. Não que as coisas estivessem melhores. Mas, decidido o rumo de ação, era mais fácil lidar com aquelas circunstâncias. O grupo já sabia qual seria a formação de batalha e quem assumiria o comando diante de sua ausência.

Mas, conforme o prazo limite se aproximava, a ansiedade também aumentava. O celular de Akira apitou insistentemente no meio da aula de Biologia, Ryuji digitava freneticamente, trazendo o assunto de volta à tona.

[Ryuji]: O Phan-site tá pegando fogo como o de costume.

[Ryuji]: De qualquer forma, amanhã é o dia! Espero que todo mundo esteja lembrado!

[Futaba]: Da data do nosso plano? É claro que lembramos!

[Ann]: Significa que vamos mandar nossa intimação hoje, certo?

[Yusuke]: Sim, hoje é a nossa única opção.

[Yusuke]: Na verdade, a polícia ainda está aguardando para entrar em ação, mas tenho certeza que nós já estamos no limite.

[Haru]: Queríamos esperar o máximo possível para fazer a irmã de Makoto entrar em alerta... certo?

[Makoto]: Sim. Levando isso em conta, hoje será nossa melhor opção.

[Makoto]: Podemos falar com mais detalhes sobre isso depois da aula.

[Makoto]: Irei entrar em contato com Akechi também.

[Ryuji]: Tudo certo, vejo vocês todos lá no Leblanc!

 

 

 

-- SEXTA, 18 de novembro. Fim de tarde. Céu claro. --

 

A maior parte dos Phantom Thieves estava saindo do colégio Shujin, pegando o metrô rumo à Yogen-Jaya. No meio do trajeto, o celular de Akira apitou, indicando uma mensagem nova.

[Futaba]: Ei! Consegui fazer com que Sojiro reservasse o Leblanc só para a gente!

"Wow!" ela comentou, logo respondendo a mensagem.

[Akira]: Legal! Já estamos a caminho.

"O que aconteceu, Akira?"

"O Leblanc será só nosso hoje. Futaba falou com Sojiro para reservar o local para gente."

"Nossa, foi muita gentileza da parte dele." Haru comentou.

"Sim." a líder concordou.

Os cinco saíram da estação e seguiram pelas ruas de Yogen-Jaya, encontrando Yusuke no caminho. Ao se aproximarem do café já era possível notar a cabeleira ruiva de Futaba, que esperava do lado de fora do Leblanc. Ela se levantou para cumprimentá-los.

"Hey, vocês demoraram."

"Hm? O Leblanc está fechado?" Yusuke indagou diante do aviso na porta.

"Nah, essa é a definição de 'reservado' de Sojiro. A porta tá aberta, e de qualquer forma Akira tem uma das chaves."

"Que delicadeza do Chefe."

"Ah gente, só para lembrar: ajam como se nada tivesse acontecido." Ann sussurrou, e Makoto a complementou.

"Apenas mantenham a calma."

"Ouviu Ryuji?" Morgana provocou.

"Ei! Por que é sempre eu?!!"

"Pessoal..."

Akechi já estava cruzando a esquina, o que não era surpresa. O detetive era bastante pontual e já sabia dos horários do restante do grupo. Akira acenou, e ele se juntou ao grupo. Ela se dirigiu ao detetive cordialmente, como sempre, talvez por ser a que mais desejasse que 'nada tivesse acontecido'.

"Olá."

"Oi Akechi-kun. Você demorou um pouco hoje."

"Desculpe. O metrô estava bem cheio, tal como a estação."

"Culpa do horário." Akira deu ombros, indicando que não se importava com o atraso. "Vamos entrar?"

O local estava vazio, e enquanto a maioria escolhia um lugar perto da mesa central, Akira estava atrás do balcão, preparando um café básico para o grupo. Ela já sabia das preferências de cada um --- Akechi e Yusuke estavam no espectro mais amargo, apreciando um café mais forte, enquanto Ann e Futaba gostavam de um café um pouco mais fraco e incrementado com creme e mel. Ryuji era o único que não tomava café, preferindo tomar um achocolatado gelado.

Enquanto ela preparava as bebidas, o grupo discutia por alto sobre as variedades de café e lanches que melhor combinavam com cada um --- uma discussão liderada por Haru e Ann.

"É muita gentileza sua, Akira."

O detetive comentou quando Akira colocou as bebidas na mesa e no balcão, e a jovem simplesmente respondeu ao se sentar na cadeira ali no meio.

"Não é tão bom quanto o do Chefe, mas creio que faz jus ao estabelecimento."

"Falando nisso, Sojiro-san não está? Pensei que ele tivesse saído, mas já é muito tempo para ele deixar o café sem ninguém atendendo."

"E eu não conto como funcionária?" Akira replicou, numa provocação amistosa, e Ann explicou o ocorrido para o detetive.

"Não é nada disso. O Chefe disse que reservou o local para a gente. Estamos livres para beber tanto café quanto quisermos."

"Mas esse lugar não 'tá sempre vazio?" Ryuji comentou, para ele não faria diferença se o Leblanc estivesse aberto.

"Isso foi rude. Vou contar pro Chefe."

"Todos aqui são testemunhas." Futaba reforçou as palavras de Akira.

"E-É... eu só 'tava brincando..."

"Um, não era para discutimos para onde devemos enviar a intimação?" Haru tentou aplacar a discussão.

"Considerando esse alvoroço todo, ela provavelmente vai achar que é só uma brincadeira de mau gosto, não?"

"Eu poderia deixá-lo na mesa de Sae-san, se for o caso. As pessoas de lá me conhecem, posso ter acesso fácil."

O detetive comentou, mas Morgana indicou a falha do plano.

"Isso não é uma boa ideia. Se você é o único que pode entrar lá, então a intimação será facilmente rastreada até você."

Diante da discussão, Makoto interveio, sua determinação incisiva.

"...Eu farei isso. Posso simplesmente dizer que veio para ela no correio. Esse seria o método menos arriscado. Não interessa o que ela perguntar, vou falar que não sei de nada"

"Mas Makoto, isso é..."

Muito perigoso? Muito suspeito? Sim. Mesmo sendo menor, ainda era um risco.

"Você é a líder, então isso depende de você. Deveríamos deixar a intimação por conta de Makoto?"

"Eu confio nela para isso."

"Esse é... mesmo o único jeito...?" Ann comentou, um tanto melancólica, as mesmas palavras que Akira iria proferir. Mas Makoto afirmou com tranquilidade, numa certeza quase que absoluta.

"Vai dar tudo certo. Já passei por coisas bem mais perigosas do que esta."

Considerando o que houve quando desafiaram Kaneshiro, aquilo seria quase fácil.

"Então deixaremos isso para você. Obrigado por concordarem com isso." O detetive mais uma vez agradeceu a parceria com o grupo, e comentou de forma leniente, sem deixar de sorrir. "Também terei que me esforçar e correr atrás para compensá-los por esse inconveniente..."

"Muito bem então. Nós iremos partir da frente do tribunal. Seis da noite é um horário válido para todo mundo?"

"Hn."

"Sim, tá bom."

"O mesmo de sempre."

"Bem, então vamos nos preparar para amanhã!" Morgana entoou, dando a palavra final. "Dispensados!"

"Um, Akira, você se incomodaria se eu ficasse por aqui por mais tempo? Eu gostaria de discutir um pouco mais sobre as variedades de grãos e combinações disponíveis."

Haru se manifestou, quase que timidamente, enquanto o restante do pessoal se preparava para sair. Akira concordou de imediato, bem como Yusuke.

"Claro!"

"Bem, se vocês forem fazer mais café, então vou ficar mais tempo também."

"Hmmmn... Eu tô quase mudando de ideia... Mas eu preciso passar no mercado lá da estação para recarregar meu estoque de chocolate..." Ann comentou, e Akira sorriu meio amarelo, era algo que ela mesma tinha o costume de fazer.

"Ah, já que você vai para o shopping da estação, se importa se eu for junto? Preciso de umas dicas suas para escolher algumas roupas mais... casuais." a estrategista comentou, solicitando ajuda.

"Ah, sem problema."

"Bem... Parece que eu sou o único que vai voltar sozinho para casa."

"Grande coisa. Eu também vou." Futaba respondeu o comentário de Ryuji.

"Ao menos você vai poder voltar direto. Vou ter que passar na estação policial só para checar o caso."

"Tudo bem. Nós vemos amanhã então, certo?"

"Mesma hora, mesmo local."

"Ok! A gente se vê então!"

O grupo se dispersou, Ann, Makoto, Ryuji e Akechi indo rumo à estação, enquanto Futaba voltava para casa de Sojiro, com o celular na mão. Assim que a hacker conferiu que o detetive já estava no metrô, ela voltou para o Leblanc.

Ryuji teve que pegar duas conduções para voltar, mas como a parada de casa ficava depois de Shibuya, ele não teve problemas para retornar ao café. Já Ann e Makoto tiveram um pouco mais de dificuldade, Akechi pegava a integração na estação de Shibuya, e elas sutilmente conferiram se o detetive estava as seguindo quando entraram no mercado. Mas depois foi só voltar para Yogen-Jaya.

As duas foram as últimas a voltar para o Leblanc.

"Desculpe pela demora, tivemos que nos certificar que ele não estava na nossa cola."

"Nem me fala. Tive que gastar duas passagens."

"Então, o que é que falta?"

"Bem, já temos uma ideia geral do que fazer para enganar Akechi. Mas... não vai ser muito pouco tempo? Como coordenar as ações para que Akechi possa parar no Metaverso --- mas eu não?"

"O aplicativo tem uma limitação de alcance. Vimos isso com Lady Ann. O raio é pequeno, mas mesmo pessoas que não possuem o aplicativo são levadas."

"Então, se Akira estiver distante de Akechi... se ele estiver no corredor e ela na sala de interrogatório, por exemplo... então ele poderia parar no Metaverso, sem perceber, e Akira ficar a salvo no mundo real."

Makoto resumiu o plano, destacando aquela falha, e Yusuke ressaltou os principais tópicos.

"Sim. Como a distorção de Sae-san se limita ao tribunal, o restante de Shibuya, incluindo o distrito policial, deve permanecer o mesmo. Ela vai pensar que Akira ainda está na sala de interrogatório, e assim uma versão cognitiva dela estará no Metaverso."

"Mas se vamos usar a cognição da irmã da Makoto, ela também vai pensar que Akechi está no mesmo lugar que Akira! Ele vai perceber que foi pro Metaverso assim que vir dois dele!" Ryuji comentou, gesticulando para expressar o lapso.

"Verdade...! O único jeito de evitar isso seria se alguém impedisse a imagem cognitiva dele de ficar no mesmo local."

"Teríamos que sequestrar essa imagem cognitiva ou coisa assim." Makoto indagava, a mão no queixo, pensativa e ligeiramente preocupada. "Mas --- isso nos deixaria com uma margem de tempo extremamente curta. Sem falar que teria que ser uma intervenção simultânea..."

"Sim." Todo mundo ali concordou, desanimados.

"Então é isso? Não tem para onde correr?"

Não havia para onde correr, não havia um abrigo seguro, mesmo no Metaverso.

Um abrigo seguro no Metaverso...

"Ei. A origem da distorção de Sae é a competitividade no ambiente de trabalho dela, não?" Akira comentou.

"Sim, e?"

"Então... todos os lugares que não fossem diretamente relacionados com trabalho não seriam um abrigo seguro?"

"Isso! Podemos nos teleportar diretamente para os abrigos seguros de um Palácio, justamente por serem falhas na distorção!" Makoto exclamou, aquilo fechava a falha no plano!

"Então, quando formos checar a sala de interrogatório amanhã, podemos ver se há algum lugar perto que não seja relacionado com o trabalho dela." Yusuke começou a listar as hipóteses. "Um refeitório, uma sala para estocar material de limpeza, até mesmo uma área limitada somente a pessoal autorizado."

"O Leblanc!" Futaba exclamou subitamente. "Akechi disse que Sae é que recomendou a visita. Então, para ela, o Leblanc também deve ser uma espécie de refúgio! Vocês podem partir do Leblanc se for o caso."

"Mas como saber o exato momento em que ele estará indo para a sala de interrogatório?"

"Pelo grampo do celular. Embora eu possa usar mais um auxílio... Sua irmã costuma levar o laptop para o trabalho?" a ruiva indagou, perguntando diretamente para Makoto.

"Sim."

"Meu grampo ainda está lá. Posso monitorar esses três grampos --- o de Sae, o de Akechi e o de Akira. Os três têm localizadores GPS, eu posso monitorá-los para saber. Claro que ter uma planta da delegacia também ajudaria..."

"Se Sae-san não tem isso no computador dela, não vamos conseguir obter uma a tempo. Não dá nem para pensar em hackear o sistema: não seria uma boa ideia se a polícia notasse uma invasão digital. Podem presumir que o local não é seguro e arruinar todo o plano." a líder comentou.

"Droga." Futaba se queixou, talvez estivesse na expectativa de testar suas habilidades. "O problema é que eles vivem entrando e saindo da delegacia, não? Não são inclusive colegas de trabalho? Sae pode simplesmente passar por ele em outra ocasião e isso desencadear um alarme falso."

"E além disso, o celular de Akira certamente será confiscado." Makoto comentou. "Mas isso pode ser justamente o nosso trunfo. Se Sae for questionar a respeito do crime, ela irá lhe confrontar com as ferramentas encontradas no local. Ela deve achar que seu celular tem alguma função a mais. Se você conseguisse convencê-la a levar seu celular... a mostrá-lo diretamente para Akechi... então não haveria alarme falso. A única hipótese de isso acontecer seria se Sae o encontrasse logo depois do interrogatório."

"Seriam dois sinais, na verdade. Tanto para ativar o aplicativo remotamente, quanto para alertar o grupo reserva para sequestrar a versão cognitiva do Akechi."

"Sim, mas quem estaria livre durante o interrogatório?"

"Bem, duvido que eles demorem muito com isso. Se não for logo no mesmo dia, seria logo depois. Ainda bem que cai num domingo."

"É, ainda bem. Só tomem o cuidado de não saírem de suas atividades normais num fim de semana. Não podemos levantar suspeitas, certo?" Akira comentou.

"Sim."

"Há mais uma coisa que esse 'grupo reserva' vai ter que fazer." a líder ressaltou. "Vocês terão que pegar o Tesouro de Sae-san."

"Sim, enquanto ela tiver um Palácio, ela estará vulnerável a um apagão mental. E se mudarmos o coração dela, ela vai ficar mais suscetível a cooperar conosco, não?" Morgana os lembrou.

"Bem, se minha irmã sofrer uma mudança de coração, acho que ela também mudará de ideia a respeito dos Phantom Thieves... se você contar a verdade a ela, talvez ela possa ver que estamos do mesmo lado, de certa forma..." Makoto comentou, com um suspiro triste, mas logo sua expressão ficou determinada, assumindo seu posto como estrategista. "Não vai ser fácil fazer com que Sae leve seu celular, itens confiscados na cena do crime não podem ser alterados ou até mesmo deslocados antes da perícia... ela teria que ter um motivo realmente forte para fazer isso."

"Se ela souber de todo esse esquema, ela vai querer nos ajudar. Tenho certeza disso." Akira afirmou.

"Eu também."

"Talvez ainda assim ela subestime o perigo que está correndo... Talvez ela precise de mais provas para tal." Futaba destacou. "Só por precaução, posso repassar mais instruções pelo celular de Akira, usando um segundo alerta. Caso o sinal do celular de Akira e o laptop de Sae estiverem próximos e se movimentando juntos, significa que ela levou o celular. E que provavelmente estará indo procurar Akechi. Eu poderia alertar o grupo reserva para entrar no Metaverso e se preparar para deter a imagem cognitiva de Akechi. E quando vocês saírem do Metaverso com o Tesouro de Sae, eu poderia avisá-la para que ela possa tirar Akira da sala em segurança. Ela tem que se atentar para os guardas e para todo mundo envolvido nessa conspiração."

"Sim."

"Então, o plano está definido! Tudo que nos resta a fazer é esperar e nos preparar para entrar em ação amanhã." Morgana comentou, como sempre, ele insistia em ficar com a última palavra. "Agora sim todos estão dispensados!"