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Rouxinol

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Os olhos bem treinados de Aizawa observavam atentamente o cair da noite no centro de Tóquio; suas mãos apertando seu laço de captura com mais força que o normal enquanto seu parceiro, Hizashi, monitorava os arredores com seu rastreador eletrônico em mãos.

Viram algumas pessoas caminhando apressadas com sacolas nas mãos, mas nenhum movimento até então parecia suspeito. Observaram os homens e mulheres que conversavam sobre as coisas mais triviais, alheios ao perigo que estava à espreita.

Foram precisos alguns minutos até que o rastreador especial da U.A identificasse o sinal de um dos membros conhecidos da Liga dos Vilões. Hizashi teve que morder os lábios para se conter, mas ele tocou os braços do esposo mesmo assim, mostrando a clara imagem do aparelho em suas mãos.

“Shigaraki.” – Shouta comentou em seu típico tom cansado.

“Uhum.”- O loiro apenas concordou com a cabeça, focando sua atenção para a calçada.

Shouta estranhou o silêncio de Hizashi, mas continuou focando sua atenção no jovem que conversava com as mãos que seguravam seu corpo. Aquele seria o momento perfeito para atacar, então sem perder tempo, Eraser saltou para o telhado do beco mais próximo sem fazer barulho algum, enquanto o loiro continuava escondido atrás de uma lata de lixo.

Suando frio, Shouta respirou fundo, usando seu laço de captura para remover a mão que estava no rosto de Shigaraki. O plano seria perfeito se desse certo, pois enquanto o vilão se distraia, Hizashi poderia gritar para desacordá-lo, fazendo com que a captura fosse perfeita.

“Mic! Agora!” – Shouta gritou do topo do telhado.

“YE----“- Antes mesmo de Hizashi conseguir gritar, sentiu uma afiada lâmina contra sua garganta.

“Nem pense em gritar, mocinho!” – A voz aguda de Himiko avisou perigosamente.

“E-eraser...” Hizashi tentou chamar e tudo o que recebeu foi golpe que quebrou seu alto falante do pescoço.

“Eu disse pra ficar quietinho!!”- A garota ordenou mais uma vez.

Shouta era o tipo de herói que mantinha a calma em todas as circunstâncias, mas quando percebeu que Hizashi não estava gritando, saltou do telhado, pousando em cima do corpo de Shigaraki, atingindo-o com um soco certeiro no rosto desprotegido.

Por um minuto, Eraser pensou que havia vencido, mas quando ouviu os risos do adolescente abaixo de seu corpo, apenas virou seu rosto pra o lado, observando com horror enquanto Himiko rendia seu esposo.

“NÃO ENCOSTE NELE!”- Shouta estava tão chocado com sua própria reação quanto os outros.

“Ora, mas aí não teria graça, não é mesmo, Eraser? Eu só quero brincar um pouquinho com o seu coleguinha”- Himiko fingiu um biquinho decepcionado, rindo logo em seguida.

“Deixe ele em paz!” – Shouta queria correr para atacar a garota, mas se ele saísse de cima do jovem, perderia seu alvo principal.

“Himiko, já sabe o que fazer! Esse é o esposo dele.” – Shigaraki comentou com um sorriso, demonstrando que não estava ali para atacar Eraser.

“Haaaaaai!”- A garota comemorou, guiando sua faca para a garganta de Hizashi.

“E-eraser...”- Hizashi tentou dizer, com a respiração descompassada. “... N-não importa o que aconteça comigo! C-continue focado na missão!

Os olhos de Hizashi estavam marejados enquanto ele tentava se desvencilhar dos braços firmes da garota, parecia que ela havia colado seus corpo ao redor dele, fazendo com que fosse impossível escapar.

“Aww, que gracinha! Comovente! Tem mais uma última palavra, fofinho?” – Himiko ralhou.

“EU, E-EU TE AMO, ERASER!”- Hizashi gritou a plenos pulmões, com um sorriso triste nos lábios,

“NÃO, NÃAAAO! SOLTE ELE” – Aizawa decidiu que já havia ouvido suficiente daquela garota, saltando para longe de Shigaraki.

Eraser vestiu seus óculos rapidamente, correndo em direção à garota, mas antes mesmo de alcançá-la com fita de captura, presenciou Himiko perfurar a garganta do loiro antes de saltar para trás, deixando um atordoado Hizashi que gemia desesperado com as duas mãos envolvendo seu pescoço ferido.

“Oopies?”- A garota brincou, sorrindo para Eraser antes de ser carregada pelo portal de Kurogiri.

“Game Over, Eraser. Nos encontraremos de novo!”- Shigaraki sorriu, se levantando do chão antes de entrar no portal temporário e desaparecer.

Pela primeira vez na vida, Shouta se viu completamente sem saída quando notou seu esposo caindo no chão, com seus cabelos agora bagunçados e uma poça de sangue ao redor de seu corpo.

“Uh uh,,,Uh..”- Hizashi grunhia de dor, tentando respirar sem sucesso.

“Zashi! Zashi, por favor...”- Por mais nervoso que estivesse, Shouta tentava manter sua voz calma.

“Roo...Uhh....Ta...”- O loiro tentou chamar em vão, completamente deitado sobre o concreto.

“Desgraçados!!” – Shouta socou o chão com tal força que a terra tremeu.” Isso é culpa minha! Zashi, me perdoa! Me perdoa!”

Hizashi apenas sorriu com tristeza, tentando mostrar que a culpa não era do seu esposo. Com o pequeno resquício de forças que o restava, guiou uma de suas mãos ensanguentadas até o rosto de Shouta, acariciando a pele pálida de seu parceiro antes de se dar por vencido, deixando seus olhos se fecharem lentamente.

“Não! Zashi, fale comigo! Zashi! Acorde!”-Shouta gritava desesperado e completamente paralisado.

Por mais que ele tentasse brigar com sua própria natureza, Shouta se rendeu a emoção, deixando as lágrimas tímidas escorrerem enquanto levantava o esposo para pressioná-lo contra o peito.

Ele não poderia perder mais tempo, então sem nem parar pra pensar, Aizawa segurou o esposo no colo, secando seu próprio rosto molhado com a fita de captura antes de saltar o mais alto que pôde, correndo pelos telhados da cidade.

Shouta nunca havia corrido tão rápido em toda sua vida, rezando mentalmente para que ainda houvesse uma chance para seu esposo. O hospital mais próximo da cidade era apenas há alguns quilómetros dali, então tudo o que ele pôde fazer, foi correr para a sede da U.A, que rera há apenas alguns blocos dali.

Sem pestanejar, Shouta gritou na porta, sendo rapidamente acolhido por Cementoss e All Might, que estavam fazendo hora extra naquela noite. Assim que ambos os heróis viram a situação de seu colega Present Mic, correram até a sala da Recovery Girl, a fim de trazer a maca.

Junto da enfermeira e a com a maca, o diretor Nedzu surgiu assustado, se aproximando de Eraser para ver a situação real de seus funcionários.

“O que foi que aconteceu, Eraser?”- Nedzu questionou calmamente.

“E-eu explico melhor lá dentro! Fomos atacados pela Liga.”- Aizawa comentou ofegante.

“Hmm...Entendo. Vamos, venham comigo!”- Nedzu ordenou, retirando Hizashi dos braços de Aizawa, para colocá-lo na maca.

O silêncio se instaurou pelos corredores da escola, enquanto a equipe completa de professores presentes fazia a escolta dos dois parceiros feridos.

Kayama foi a última funcionária a aparecer, pois estava de folga naquele dia e praticamente se jogou na maca, tentando abraçar o corpo desfalecido do colega.

Foram precisos dois professores para tirar a mulher de cima da maca e logo ela estava caída sobre o chão, chorando desesperada sobre a parede. Ela queria Hizashi muito bem, mas não apenas por ter sido a madrinha de casamento do loiro com Shouta, mas também por ser uma de suas melhores amigas.

“Agora que estamos aqui, nos explique o que aconteceu, Eraser.” – Nedzu questionou.

“Nós... Estávamos fazendo aquela missão de reconhecimento que combinamos com o senhor.” – Shouta começou, sentindo a garganta seca.

“Certo, certo. E o que houve de errado?”- Disse Nedzu, oferecendo um copo de água com açúcar para o herói.

“Nós fomos emboscados por Shigaraki e Himiko. Eu deveria ter previsto, mas foi um erro atacar antes de termos certeza de que ele não tinha reforços.”- Shouta continuou, cerrando os punhos.

“Eraser, você é um dos heróis mais calmos que conheço. Sabe muito bem que isso não foi sua culpa. Você fez tudo o que pôde.”- Nedzu tentou acalmar o funcionário.

“Foi minha culpa sim. Eles sabiam que Hizashi era meu esposo. Não sei como, mas acredito que descobriram sobre nós dois e usaram essa informação propositalmente para me atingir.”- Shouta disse de maneira mais lógica o possível.

“Mas isso é impossível! Como foi que eles descobriram isso?”- Midnight interviu.

“Eu não sei, Kayama.”- Shouta suspirou fundo, se aproximando da cama do esposo, segurando suas mãos delicadas com carinho.

“Bem, preciso de espaço para a cirurgia, professores. Peço que saiam e aguardem na sala de espera ali do lado de fora.” – Recovery Girl ordeniu, pedindo para que apenas um de seus colegas ficasse como testemunha.

Sob protestos, todos os professores deixaram a sala de cirurgias e Aizawa foi o último a sair. Em toda sua vida, ele nunca soube lidar com sentimentos, principalmente com os seus, mas a vida com Hizashi havia mudado isso.

O loiro havia mostrado que não tinha problema sentir tristeza ou alegria de vez em quando e só de pensar que talvez pudesse nunca mais ver aquele sorriso, Shouta sentia seu coração apertar 

“Hizashi, por favor...”- Shouta suplicou, apoiando a cabeça na porta da sala de cirurgias, deixando seu corpo cair sobre o chão.

Não fosse All Might carregando Shouta para o outro extremo da sala e o apoiando na parede, Shouta teria caído no chão. Kayama e os outros professores também choravam pela perda do colega.

Uma hora, duas horas, três horas se passaram e não havia sequer sinal da Recovery Girl e de Thirteen fora da sala de cirurgias. Shouta havia chorado tanto naquela noite que caíra no sono de tanta exaustão, junto a Kayama no sofá.

Aos poucos, os professores foram embora, afinal todos acordariam cedo para trabalhar na manhã seguinte, deixando apenas Kayama e Aizawa na sala de espera.

“Hmm... Já são onze horas da noite. Acho que vou indo pra casa, Shouta. Quer que eu compre algo pra você comer?” – Kayama ofereceu, parecendo exausta.

“Não precisa, eu estou bem. Poderia passar em casa para dar ração pro Mr. Whiskas e checar se Shinsou está dormindo, se não for atrapalhar muito?” – Aizawa respondeu sem muito interesse.

“Não vou deixar você ficar em jejum! Vou trazer um pouco de karage e takoyakis com gohan pra você, tudo bem? E pode deixar que eu passo na sua casa. Ainda tenho aquela cópia da chave do Yamada.” – Kayama sorriu, soprando um beijo para o colega antes de partir.

Shouta não iria admitir, mas ele não queria que a colega fosse embora de vez, porque ali estava muito silencioso e por mais que ele odiasse barulhos, estava sentindo muita falta deles naquela noite.

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Meia hora depois, Kayama retornou com uma sacola de compras e as chaves reservas, entregando tudo na mão do colega, antes de despejar um beijo no rosto dele e se despedir.

Aizawa suspirou fundo, sentando-se na poltrona de visitas da sala, ligando a televisão para ter alguma forma de distração enquanto jantava. Por sorte, seu programa favorito sobre filhotinhos fofos estava passando no canal, o que fez com que ele se sentisse um pouco melhor.

Logo a madrugada chegou e não havia nem sinal de seus colegas na sala de cirurgia, mas ele ficaria lá até o fim, não iria sair de lá até ter uma notícia, fosse ela positiva ou negativa. Para sua surpresa, se deparou com um choroso Hitoshi, que invadiu a sala de espera, envolvendo seus braços no corpo do pai postiço.

“Pai... Kayama me acordou e me contou o que aconteceu... E-eu sinto muito.” – Hitoshi esfregava o rosto no peito do mais velho.

“Tch... Ela não toma jeito mesmo.”- Shouta revirou os olhos.” Zashi está em cirurgia ainda, Toshi. O que aconteceu com ele foi muito grave.

“M-mas ele vai sobreviver? Diz que sim, pai!” - Hitoshi sem querer ativou seu quirk.

Sim.” – Aizawa falou sem nem mesmo saber, com olhos completamente vazios..

“Desculpa. Eu não queria ativar.”- Hitoshi pediu, controlando sua individualidade.

“Por mais que eu queira ter uma resposta boa pra você, nem mesmo eu sei o que está acontecendo lá dentro. Uma das vilãs da Liga perfurou a garganta dele e... Ele perdeu muito sangue.” – Shouta falou didaticamente.

“Entendo.”- Shinsou apenas suspirou, sentando ao lado do pai, apoiando sua cabeça nos ombros do mais velho.

“O mais lógico nesse momento é esperar.”- Shouta disse, voltando a prestar atenção na televisão.

Ambos caíram no sono após o jantar e apenas as três horas da manhã foram acordados com o anúncio da Recovery Girl, que apareceu exausta na porta.

“Eraser, ainda aqui? Ah, e jovem Shinsou, deveria estar dormindo!”- A idosa comentou com firmeza.

“Então Chiyo san? Qual é a situação dele?” – Hitoshi questionou.

“Bem, Yamada vai sobreviver.” – A mulher comentou. “Mas ele ainda não acordou e tem outra coisa importante. Me acompanhem, por favor.”

“Sim senhora.”- Aizawa respondeu, levantando de prontidão com seu filho.

Quando entraram no quarto, se depararam com Thirtheen em uma das cadeiras, apenas observando o soro conectado diretamente nos braços de Present Mic.

Hizashi parecia o mesmo de sempre, porém seus cabelos estavam completamente soltos e ele estava dormindo tranquilamente com um tubo em sua boca. Seu pescoço estava completamente enfaixado, mas o sangramento parecia ter se estabilizado, fora isso ele vestia a conhecida veste de dormir da ala hospitalar da escola.

“Como podem ver, ele ainda está inconsciente, mas acordou por alguns minutos quando conectamos o soro. Por enquanto a situação dele é estável, mas...” - Chiyo respondeu.  

“Mas?”- Hitoshi questionou ansioso.

“Sinto muito, mas grande parte das cordas vocais dele foi danificada. Ele não poderá mais falar.” – Recovery Girl confessou com muito esforço.

Aizawa estava completamente absorto em seus pensamentos e parecia ter lidado muito bem com a notícia, mas pela segunda vez naquela noite, fez algo que fugia de seus princípios, socando a parede do quarto com força.

Shinsou entendia bem a resposta do pai e ele mesmo estava tendo dificuldade em absorver o que acabara de ouvir. Não sabia como viver em um mundo sem a voz do seu segundo pai e na verdade, tanto o garoto quanto Aizawa sabiam que isso significava o fim da carreira de professor, herói profissional e radialista para Mic.

“Não há nada que possamos fazer?”- Shouta ofereceu.

“Infelizmente não. Tudo o que podem fazer agora é trabalhar juntos para que Yamada tenha uma recuperação tranquila. Recomendo chá quente de gengibre toda manhã e noite.”- Thirteen respondeu.

“Chiyo san... O rádio é uma das coisas que Hizashi mais ama. Deve haver uma forma de...”- Aizawa tentou argumentar.

“Sinto muito minha criança, mas não há nada que possamos fazer por ele a não ser deixá-lo estável. Se me lembro bem, Yamada sabe se comunicar com a língua de sinais, certo?.” – Chiyo apontou com sabedoria.

“S-sim. Quando ele era pequeno, por ter ensurdecido seus pais, teve que aprender a linguagem de sinais e ele também me ensinou um pouco.” – Shouta afirmou.

“Pois então está feito. Sabe, Aizawa, sei que isso é doloroso para todos vocês. Mal posso imaginar como ele vai reagir com a notícia, mas nem tudo está perdido. Existem muitas funções de interprete no país, mas agora peço que vão para casa e descansem. Podem voltar daqui a dois dias, está bem?” – Recovery Girl ordenou.

“Está bem, Chiyo. Obrigado por tudo o que fez pelo Hizashi. Obrigado a você também, Thirteen. Uma boa noite.”- Shouta disse, segurando as mãos do filho para sair da sala.

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Dois dias depois 

Olhos verdes se abriram lentamente enquanto o sol forte invadia as frestas da cortina. Hizashi se deu ao luxo fechar os olhos novamente a fim de tentar descansar um pouco mais, porém quanto notou que já era manhã, se assustou, olhando freneticamente para os lados tentando entender o que estava acontecendo.

Notou que havia um acesso de soro em seu pulso e assim que levantou a mão, tocou seu pescoço, sentindo a textura macia das bandagens. Tudo o que ele queria naquele momento era um copo d’água, pois sua garganta estava bem seca, mas quando tentou chamar alguém, se assustou, percebendo que a voz não saía.

Ele tentou falar, mas os movimentos apenas fizeram com que sua garganta começasse a doer e logo ele se deu por vencido, deitando novamente no colchão. Enquanto os pássaros cantavam alegres lá fora, Hizashi começou a rir, sem nenhum som, mas logo o sorriso se desfez em lágrimas.

Hizashi não podia acreditar no que estava acontecendo; não conseguia entender como uma simples missão de reconhecimento poderia ter se transformado num desastre tão grande. Se ele havia perdido a voz, não poderia mais trabalhar na rádio, muito menos dar aulas na UA ou utilizar sua individualidade.

Nem bem teve tempo de continuar suas lamentações, pois logo Chiyo surgiu no quarto com um sorriso nos lábios, acompanhada por Yagi, que segurava seis balões decorativos nas mãos.

“Bom dia, Yamada! Vejo que já acordou! Como se sente?” – A idosa perguntou se aproximando da cama.

 “Que bom que acordou, Hizashi!”- All Might cumprimentou, prendendo os balões no suporte da cama.

Hizashi apenas acenou que negativamente com a cabeça, mostrando que sua voz não saia de jeito algum. Tudo o que seus visitantes fizeram foi sorrir de forma triste, enquanto Chiyo se preparava para trocar o acesso do soro.

“Eu sei o que quer saber. Shouta e Hitoshi passaram a noite inteira aqui esperando por você.” – Recovery Girl comentou.

Mic apenas sorriu ao ouvir o nome do esposo, puxando de leve a manga da camiseta de Chiyo, em modo de pedir para que ela trouxesse Shouta.

O recado foi entendido, pois logo a idosa comandou que Toshinori buscasse o rapaz e em menos de dez minutos, um esbaforido Shouta, acompanhado de Shinsou, entrou na sala de cirurgias, fazendo o máximo para parecer tranquilo.

Hizashi secou as lágrimas rapidamente assim que viu seu esposo entrar pela porta. Tudo o que ele fez foi sorrir para o esposo, tentando dizer bom dia, mas quando sua voz não saiu, ele se lembrou do que havia acontecido e não pôde impedir as lágrimas teimosas de caírem.

Mesmo assim, seu sorriso estava intacto, enquanto Shouta e Hitoshi se aproximaram da cama para abraçá-lo com força. Ficaram assim por alguns minutos antes de se desvencilharem para ver o que o loiro tinha a dizer.

De modo tímido, Hizashi mexeu nos cabelos, colocando uma mecha para trás das orelhas, enquanto começava a sinalizar rapidamente com as mãos. colocando quatro dedos sobre o queixo antes de jogá-los para frente.

Estou bem” – O loiro gesticulou rapidamente.

“Zashi, eu nem sei o que dizer pra você. Sabe que sou péssimo com essas coisas de sentimentos, mas... Eu sinto muito, de verdade, pelo que aconteceu. Se eu fosse mais rápido, talvez...”- Shouta argumentou.

Hizashi apenas fez um sinal para que seu esposo parasse de falar, antes de gesticular. “Pare com isso. Não foi sua culpa, nem minha. Vai ficar tudo bem.”

Shouta não queria chorar na frente do filho, então apenas suspirou alto, se aproximando do esposo mais uma vez para abraçá-lo como se quisesse fundir seus corpos.

“Eu sinto muito por isso, Zashi. Só quero que saiba que eu e o Hitoshi vamos estar aqui por você, está bem?”- Shouta prometeu.

Hizashi apenas sorriu em resposta, olhando para o filho antes de voltar seu olhar para o moreno, acariciando a barba por fazer de Shouta. Eles teriam um longo caminho pela frente, mas só de saber que não estaria sozinho, o Mic já se sentia mais tranquilo.

“Chiyo san disse que você vai poder voltar pra casa daqui a alguns dias, papai!”- Hitoshi comentou corado.

Como Hizashi sabia que o filho não entenderia a linguagem de sinais, apenas sorriu, acenando com as mãos para que o garoto se aproximasse. Foi só Shinsou chegar próximo a cama que o loiro encheu seu rosto de beijinhos.

“Eca, papai! Eu não sou mais criança! Tá me fazendo passar vergonha...”- Hitoshi reclamou, mas era tudo da boca pra fora.

“Adolescentes.”- Shouta comentou sorrindo, dando com os ambos antes de se aproximar para beijar o esposo e se despedir.

“Bem, como já sabem Hizashi voltará para a casa de vocês na semana que vem. Desde já recomendo que instalem alarmes ou comprem um sino para a casa de vocês, pois Yamada pode precisar disso para emergências. Vou passar uma série de remédios para eke, está bem? – Recovery Girl sugeriu.

“Sim senhora. Vou providenciar tudo isso. Vamos Hitoshi, está na hora da aula.” – Shouta chamou o filho, que abraçava o loiro na maca.

Tchau, meu amor.”-  Hizashi sinalizou para o esposo, observando todos saírem do quarto ao mesmo tempo.

Assim que Hizashi se viu completamente só, enquanto Chiyo preparava sua bandeja de café, tudo o que o herói fez foi se jogar na cama novamente, chorando copiosamente, sabendo que sua condição era um caminho sem volta.

Por mais que estivesse contente em ter alguém ao seu lado, não importasse a situação, o pouco de autocontrole que ele tinha sobre sua vida acabara de se esvair e ele não sabia o que poderia fazer agora para ser útil e tudo o que ele mais odiava era não saber o que fazer.

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Continua