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O meu coração nunca deixou de ser teu

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Vitoria, estava sentada num dos alpendres que existem no jardim do Palácio de Buckingham. Tinha o rosto e os olhos inchados. Chorava há mais de 1h. Albert, seu marido tinha-lhe dito que Lord M. estava gravemente doente, que era uma doença degenerativa e que provavelmente nunca se recuperaria dela. Melbourne tinha pedido a seu marido para não dizer nada a ela. Não queria preocupá-la. Ela tinha tantos problemas do reino para resolver. Isso a magoou. Ele deveria ter-lhe dito. Ele era a pessoa mais importante da vida dela. Ela tinha o direito de saber. Uma certeza tinha. Iria-o ajudar de qualquer maneira, mesmo sem ele saber. Iria procurar o médico mais competente do Reino ou da Europa se fosse preciso para o curar, ou pelo menos, para aliviar os sintomas desta maldita doença que lhe roubava o seu querido Lord M. As lágrimas voltaram a cair-lhe pelo rosto como a chuva que escorre pelos vidros de uma janela num dia de chuva intenso. Ela nunca deveria ter ido a Brocket Hall falar-lhe da sua insegurança para com uma possível traição de Albert com Lady Lovelace, filha de Byron. Sem querer deu-lhe a entender que amava seu marido e que sofria com essa possível traição. Isso não era verdade! Ela não ama Albert. No fundo ela nunca entendeu o que sentia por seu esposo. Ela gosta de estar com ele. Gosta dos beijos dele. Gosta de fazer sexo com ele. Fica tensa quando o vê com outra mulher mas, não é aquele arrebatamento, aquela sensação de que lhe tiraram o ar se não está com ele, aquela certeza que era capaz de dar a vida por ele. Nada disso! Isso, ela sentiu e sente por Lord M. Mas, afinal o que ela sente de verdade por eles os dois! O seu coração é um caos de sentimentos misturados que ela não sabe decifrar. Ela sofre porque sabe que naquele dia em Brocket Hall o fez sofrer que nem um condenado que vai para a forca. Uma coisa ela sabe e tem certeza. Ele a ama. E como a ama! Ele não esconde o que sente por ela. Não através das palavras mas, através da forma como olha para ela, a forma como lhe fala, a forma como sempre agiu com ela e lhe pega nas mãos. Transmitem amor. Amor grande, puro e verdadeiro. A culpa de ele estar assim é dela. Tudo porque decidiu casar com Albert. Mas, por outro lado também foi dele. Foi ele que insistiu para ela receber seu primo e tentar vê-lo com outros olhos. Agora ela sabe que ele dizia isso mas, no fundo de seu coração ansiava que ela nunca gostasse de seu primo e fosse sua companheira, mesmo que repetissem a Historia de Elizabeth e de Leicster. De repente suspende a sua respiração, arregala os olhos e começa a chorar compulsivamente. Vitoria, caiu nela. Desde que ela decidiu casar com Albert que Lord M. está-se deixando morrer aos poucos por amor a ela. Desde o dia que se casou com seu primo, Lord M. se afastou dela aos poucos. Ainda foi seu Primeiro-Ministro durante um tempo mas depois saiu. Deixou a política e se refugiou em Brocket Hall, vindo raramente a Londres. No começo se correspondiam diariamente mas depois ele começou a enviar-lhe menos cartas. Nos últimos tempos ela lhe escrevia e muitas vezes ele nem se quer lhe respondia. Meu Deus! Porquê que o seu coração está tão baralhado! Ela só quer saber o que sente de verdade por Albert. Será que ama dois homens ao mesmo tempo ou será que não? Ela só sabe uma coisa. Não pode perder o seu querido e doce Lord M. Porque se isso acontecer ela morrerá em vida. Vitoria encosta a sua cabeça ao alpendre e continua a chorar. A dor que sente dilacera suas entranhas. Se ela pudesse dava a sua vida, a sua juventude a Lord M.
Vitoria, ouve passos. Olha em frente e, no horizonte avista sua tia Adelaide. Ela sempre gostou de sua tia. Sempre tão dócil e meiga para ela. Sempre que ia a Buckingham quando o seu tio William era Rei, Adelaide brincava com Vitoria, ria com ela e era uma boa ouvinte e confidente. Por algum motivo ela a veio visitar. Ela está com alguma idade e, já há algum tempo que anda doente. Ela não quer que sua tia perceba que chorou, que sofre por algo mas, para sua tia Adelaide é impossível esconder qualquer coisa. Sua tia a conhece como ninguém!
Adelaide chega ao pé de Vitoria. Senta-se a seu lado e, olha-a com toda a ternura do mundo. Isso aquieta o seu coração. A velha Rainha pega em suas mãos com doçura.
-Vitoria, minha menina. Que tempestade é essa que vai em teu coração e que escurece a tua alma? Perguntou Adelaide afagando docemente o rosto de Vitoria
-Minha tia, o meu coração é um mar de incertezas, duvidas e dor.
-Minha querida, eu sei que tempestade assola o teu coração. Não sabes o que sentes de verdade por teu esposo. Sentes que gostas dele mas, gostas de Lord Melbourne também. Estou errada, minha sobrinha?
Vitoria, não sabia o que dizer. Sua tia nunca tinha tocado neste assunto com ela. Mas sabia de tudo o que se passava no seu coração. Seria tão obvio assim? Ela não conseguia esconder de ninguém os seus sentimentos? Agarrando com força as mãos de Adelaide.
-Minha tia, eu não aguento mais. Tenho de desabafar esta tormenta que assola o meu coração desde há muito tempo. Eu amei perdidamente Lord M. desde a primeira vez que o vi. Apesar, de que não me apercebi logo de imediato dos meus sentimentos devido á minha inexperiência. Mas, quando compreendi e senti foi avassalador! Lord M. era tudo para mim. Sem ele a minha vida não fazia sentido. Então, veio Albert e o meu coração ficou confuso. Eu gostei dos beijos que ele me dava. Gostei de quando fizemos amor pela primeira vez. È bom! Sabe bem! Gosto de falar com ele. Sinto uma empatia muito grande!
-E, por Lord Melbourne o que sentes especificamente minha sobrinha? Beijaram-se alguma vez? Perguntou Adelaide.
-Por Lord Melbourne meu coração vibra quando o vê. Quando não o vejo é como se me roubassem o ar e eu fosse sufocando lentamente. Seja em que dia for, o meu pensamento está nele mesmo que esteja a falar ou fazer outras coisas. Adoro tudo nele. Cada expressão, tudo! Até mesmo o mais pequeno e insignificante sinal que tenha em sua pele. Não, tia nunca beijei Lord M.
Adelaide, sorriu ternamente para Vitoria.
-Minha sobrinha. Está evidente! De Albert sentes atração física, desejo, companheirismo, amizade profunda. Amor. O sentimento mais belo e mais nobre que um ser humano pode sentir, sentes por Lord Melbourne.
Vitoria, arregalou muitos os olhos e sua respiração acelerou fazendo com que seu peito se levantasse numa dança ritmada.
-Minha tia, obrigada por me ajudar a clarificar os meus sentimentos. Mas, não sei se não foi pior para mim. Agora que sei que amo Lord M. e só a ele, como vou sobreviver sem o ter ao meu lado!
Adelaide suspirou.
- Tens duas hipóteses minha sobrinha. Ou vives o resto da tua vida com a dor e a tormenta de nunca teres vivido o amor que sentes por Lord Melbourne ou, vives intensamente esse amor. Mas, o preço é seres amante dele e ele teu amante.
Vitoria, estava perplexa com o que sua tia lhe dizia. Nunca imaginou que alguma vez a anciã de nobres e conservadores princípios lhe dissesse algo assim! Adelaide ainda acrescentou, olhando para Vitoria com um brilho no olhar que quase encandeava a Rainha.
- Minha querida, eu não devia dizer-te isto mas, vive esse amor! Declara abertamente os teus sentimentos por ele! Diz-lhe que o amas abertamente, diz o que te vai no coração e na alma sem rodeios, sem pudores, sem vergonhas! Vive esse amor antes que te consumas nele.
Vitoria, gaguejou para responder a sua tia.
-Minha tia, eu já lhe disse uma vez que o amava, quer dizer, não disse diretamente….O que eu lhe disse foi que ele era o único companheiro que eu poderia desejar. E ele rejeitou-me. Tudo porque um Visconde e viúvo nunca poderia casar com o seu soberano.
-Esse homem ama-te mais do que eu poderia imaginar! Ele abdicou do que sentia por ti. Preferiu sofrer que nem um condenado e de se consumir aos poucos nessa angustia em não te ter, unicamente para te proteger. Eu sabia que Lord Melbourne te amava. Eu percebi logo que o vi a olhar para ti. Era um tipo de amor que já não via há muito tempo. Mas, com essa grandiosidade nunca imaginei! Vai ter com ele! E mostra o teu coração. Antes que seja tarde meu anjo! Esse homem de coração nobre está a morrer aos poucos de amor por ti.
-Minha tia, sinceramente eu lhe agradeço do fundo do coração o que está a fazer por mim mas, nunca pensei na minha vida que ouviria esse tipo de conselho de sua parte.
Adelaide, respirou profundo e fechou os olhos. Era como se tentasse trazer á tona alguma memória que perturbava imensamente o seu coração. Quando abriu os olhos, havia dor e lágrimas neles. Virou-se para Vitoria.
-Minha sobrinha adorada, eu também vivi um amor assim mas, não soube lhe dizer a tempo o que sentia. Adelaide respirou fundo mais uma vez, tentando arranjar coragem para falar desse seu sentimento perdido no tempo. Olhou para Vitoria e, começou a contar.
-Eu tinha pouco mais de 22 anos. Ele era um jovem duque. Tinha herdado o titulo há pouco mais de 1 mês de seu pai que tinha falecido. Ele era lindo! Tinha um bom porte. Uns olhos azuis deslumbrantes. Um sorriso inigualável. Mal o conheci, enamorei-me perdidamente por ele mas, por vergonha e pela educação regrada que tinha tido, guardei este sentimento para mim. Ele gostou de mim também. Todos os dias tentava se encontrar comigo á saída da Igreja ou então, num dos numerosos saraus que eu assistia com minha família. Conversávamos longas horas mas, sempre com a minha mãe ao pé. Um dia, meu pai me disse que tinha concedido a minha mão ao príncipe William de Inglaterra. Naquele momento, o meu coração se despedaçou em mil pedaços. Tentei dizer-lhe que o amava mas nunca consegui. O medo e a vergonha sempre se sobrepuseram aos meus sentimentos. Parti para Inglaterra e casei-me com teu tio. Felizmente que nos tornámos grandes amigos e confidentes e, em termos de relação física, posso dizer que nos dávamos muito bem. No entanto, nunca fui feliz porque devido á minha cobardia nunca disse ao Duque que o amava. Se lhe tivesse dito talvez tivesse sido mais feliz mesmo tendo-me casado com teu tio, Vitoria.
Vitoria, estava sem palavras! Sua tia tinha sofrido tanto! Tal como ela, tinha sofrido por amor. Tudo porque não tinha tido a coragem de o dizer. Ela tinha dito, mas por palavras codificadas. Agora ela sentia. Isso não bastava! Tinha de dizer a Lord M. com todas as letras o imenso amor que sentia por ele. Que seu coração nunca tinha deixado de ser dele. Mas, encontrar coragem para isso? Ela tinha de encontrar custe o que custasse!
-Minha tia, não tenho palavras! Lamento profundamente o que sofreu por amor.
-Por isso Vitoria, vai até às tuas entranhas, arranca de lá toda a coragem que tiveres e diz a Lord Melbourne que o amas. Coragem meu anjo! E beijou Vitoria na face, partindo de seguida.
Vitoria, ainda ficou por mais um tempo sentada no alpendre. Ela ia arranjar essa coragem. Tinha de o fazer! Tinha de dizer a Lord M. que nunca o deixou de amar. Que seu coração nunca deixou de ser dele. De repente Vitoria congelou. Lord M. estava gravemente doente. Ela não o podia perder! Ela não imaginava a sua vida sem ele, mesmo que estivessem longe um do outro. Ela tinha de fazer alguma coisa! Urgente! Pensou, Pensou e…. Já sabia! Iria mandar uma carta urgente para sua amiga, confidente e irmã de coração D. Maria II de Portugal. Em tempos, D. Maria tinha-lhe falado por carta de um médico da corte Portuguesa que utilizava métodos inovadores e, até revolucionários na medicina. Ele conjugava a medicina tradicional com a Fitoterapia. Uma espécie de medicina natural á base de plantas. D. Maria tinha-lhe dito que ele tinha curado muita gente com doenças sem cura para a medicina normal. Ela iria contratar esse médico. Trazê-lo para Inglaterra para tratar Lord M. exclusivamente! E, se fosse preciso esse médico ficaria o resto da vida dele aqui. Desde que lhe mantivesse seu amor curado de tal doença. Levantou-se e começou a correr pelo jardim afora. Era imprudente. Sabia disso. Estava grávida de seu segundo filho e, isso poderia fazer-lhe mal mas, Lord M. era mais importante que tudo! Tinha de escrever de imediato a D. Maria