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Primavera

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O sol daquela manhã bateu na janela do cômodo escuro, infiltrando-se pelas frestas da cortina e iluminando dois corpos que descansavam cobertos por um fino lençol. Hizashi, como sempre, foi o primeiro a acordar, retirando os longos fios loiros que caiam sobre seu rosto, abrindo os olhos lentamente ao som dos pássaros que cantavam na rua.

Ele não pôde deixar de sorrir ao ver seu esposo dormindo tranquilo, aninhado a seu lado, com uma expressão de pura paz enquanto seu peito subia e descia em um ritmo suave. O locutor se moveu de leve para ter uma visão melhor de Aizawa, acariciando de leve os cabelos desgrenhados do parceiro.

Com os anos, Hizashi aprendeu que acordar seu parceiro de forma abrupta geralmente resultava em um Eraser mal humorado ao longo do dia, então ao invés de chacoalhar o corpo do homem a sua frente, ele apenas afagou os cabelos dele mais uma vez, com um belo sorriso em seus lábios enquanto sussurrava:

- Bom dia... – Mesmo com a voz contida, o loiro cumprimentou.

A claridade teimosa do quarto finalmente tocou na pele levemente empalidecida de Aizawa, que remexeu-se bem devagar. Seus olhos se apertaram, tentando bloquear o incômodo causado pela luz. Logo sentiu o corpo de seu esposo ao seu lado e por mais que não quisesse acordar cedo, esboçou um semi sorriso ao se lembrar de que  era final de semana.

- Hmm... Zashi... – Aizawa murmurou, abrindo os olhos aos poucos.

Esfregando os olhos, o moreno coçou o rosto de leve, começando a sentir sua visão meio embaçada antes de ver a luz a sua frente em toda sua plenitude. Num instante, suas bochechas se coraram com a visão de seu esposo sorrindo, com seus olhos verdes tão brilhantes quanto nunca.

Hizashi era o sol, brilhante, quente, aconchegante e é claro, Aizawa não poderia deixar de sorrir para si mesmo, afinal ele era a lua. Ele queria dormir ao lado de seu esposo todos os dias; Queria fechar os olhos e só ouvir a respiração dele, queria acordar sentindo aquele perfume que só seu parceiro possuía.

Aizawa se arrependia de muitas coisas que havia feito na vida, mas se casar com seu melhor amigo, foi de longe sua melhor decisão.  Ele não trocaria a vida que tinha ao lado de Hizashi por nada nesse mundo.

-  Shouta? Já acordou, dorminhoco? – Hizashi brincou, apoiando o rosto no travesseiro mais uma vez.

- Bom dia. – Aizawa respondeu baixinho, ainda estava tentando se acostumar com a luz.

Hizashi sorriu de maneira terna, guiando uma das mãos de seu esposo até seus lábios, despejando um leve beijo sobre a pele calejada de Aizawa. Ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas contemplando a presença um do outro, algo raro de acontecer com alguém como o Herói da Voz, que geralmente não parava de tagarelar.

- Dormiu bem?? Eu estava pensando que seria legal fazermos compras!!! – Hizashi sorriu de leve, mas logo mordeu os lábios com uma expressão triste. – Desculpa, eu sei que você não gosta quando eu falo alto de manhã...  

Apesar de Aizawa nunca ter demonstrado se irritar com o tom de voz do esposo, o locutor ainda tinha receio em agir naturalmente, ainda mais por estar acostumado a pessoas de seu convívio social sempre dizendo que ele deveria se calar.

- Zashi. Olha para mim. – Aizawa comandou em tom suave. – Eu já me acostumei. Além disso, você está certo sobre as compras, afinal, é primavera. – Ele sorriu de leve.

Era como se Hizashi ganhasse vida novamente, pois o mesmo sorriso voltou ao seu rosto. – Preciso ir no banheiro. Volto já! – Ele sorriu mais uma vez, despejando um Celinho no esposo.

Shouta mordeu os lábios de leve enquanto contemplou o esposo se espreguiçando; sua pele alva estava completamente marcada com manchas vermelhas e arroxeadas, como pequenas lembranças da noite anterior.

Em alguns minutos, Hizashi voltou para a cama e logo chegou a vez de Aizawa se levantar para ir ao banheiro. Quando ele finalmente voltou, apenas sorriu de leve, deitando-se na parte mais baixa da cama, a fim de encaixar seu rosto por entre as pernas esguias do esposo.

- S-shouta... – O loiro mordeu seus lábios, apoiando sua cabeça no travesseiro macio.

Aizawa fitou os orbes esverdeados do esposo com uma expressão indecifrável, antes de fechar os olhos, encaixando seus lábios na ereção de Hizashi, que tenta conter um leve gemido.  Era sempre assim; não eram raros os momentos em que Eraser acordava dessa forma, com desejo estampado em seu rosto, mas isso era um bom sinal.

Enquanto o moreno movia sua cabeça para cima e para baixo de forma graciosa, Hizashi fechara os olhos, sentindo seu corpo tremer discretamente com toda a atenção que recebia e logo não demorou a sentir seus punhos se fechando sobre o fino lençol branco que jazia abaixo de seu corpo.

Agradecia mentalmente por estarem em sua casa, que ficava na parte mais isolada da cidade, assim não incomodariam ninguém.

- Hmm... – Aizawa murmurou, baixando seu rosto e tomando seu esposo por completo dentro de seus lábios como se fosse algo tão natural quanto respirar.

- Shouta... Por favor... – Hizashi gemeu baixinho.

- Hmm... Você está perto... – Shouta murmurou em retorno, parando a carícia quase que imediatamente.

O locutor apenas concordou com a cabeça, suspirando alto enquanto finalmente relaxava sobre o colchão. Aizawa se levantou da cama, espreguiçando o corpo lentamente, enquanto seguiu caminho até uma das gavetas da cômoda, escolhendo uma das bisnagas de lubrificante de Hizashi.

Shouta quase revirou os olhos ao olhar para a embalagem e se lembrar do produto ridículo que o loiro havia comprado; era um lubrificante especial com glitter e não havia nada mais absurdo do que aquilo para Eraser, mas ele tinha de admitir que havia se acostumado com a ideia e sempre guardava o produto para ocasiões especiais.

- Yaaaay! – Hizashi comemorou alegre ao ver a bisnaga nas mãos do esposo.

- Só você para me convencer de algo assim. – Shouta balançou a cabeça, abrindo o recipiente, despejando um pouco sobre as mãos para massagear a própria ereção.

- Qual a ocasião especial, bebê? –Hizashi questionou curioso.

- Como eu havia falado antes, é primavera. – Aizawa piscou algumas vezes de forma debochada, antes de se ajoelhar na cama.

Hizashi apenas respirou fundo, sentindo sua respiração levemente descompassada, enquanto separava suas pernas para que seu esposo se encaixasse.

Aizawa, sempre muito cuidadoso, se ajoelhou em frente ao loiro, despejando alguns beijos sobre seu rosto, enquanto uma de suas mãos calejadas retirava alguns fios teimosos do rosto do locutor.

Não levou muito tempo para que ele prepara-se seus dedos com um pouco do gel, massageando o corpo do esposo por dentro, deleitando-se com a expressão delicada de prazer estampada no rosto de Hizashi.

- S-shouta... – O loiro mordeu os lábios, apertando o lençol com suas mãos mais uma vez.

Num repente tudo ficou silencioso e apenas respirações descompassadas podiam ser ouvidas, uma vez que Aizawa introduziu-se no esposo com certo cuidado. Eraser ficou imóvel por alguns segundos, contemplando o ambiente macio em que se encontrava, mas logo se movimentou, uma, duas vezes em um ritmo contido.

- Hmm... – Shouta grunhiu, finalmente fechando os olhos pela segunda vez naquela manhã.

O ritmo aumentou gradativamente, inundando o quarto com o som de corpo contra corpo e em um dado momento, Shouta precisou ativar seu quirk, a fim de controlar o volume exacerbado dos gemidos do esposo, que estava tão corado quanto antes.

Shouta sabia que Hizashi estava próximo quando sentiu dois apertões de leve em seu braço, observando algumas unhas pintadas de roxo, cravando-se em sua pele.

- Amor... Hmm... S-shouta... – Hizashi gemeu, arfando exausto, sentindo o conhecido calor subir sobre seu ventre.

- Hizashi... – Aizawa gemeu um pouco mais alto do que havia intencionado, mas não era como se isso importasse agora.

-Isso... Ah...-  Hizashi mal podia respirar; seu rosto estava completamente contorcido e num repente, sua visão se tornou turva e ele gemeu com tal intensidade que fez as janelas da casa tremerem.

- Shhh.... – Aizawa ativou seu quirk mais uma vez, movimentando-se mais uma vez até atingir o ápice logo em seguida com um longo gemido.

Ambos deixaram que seus corpos caíssem exaustos sobre o macio colchão da cama de casal, enquanto tentavam recuperar suas respirações. O odor de suor estava nítido, mas não era como se o casal se importasse. Hizashi riu sozinho ao sentir um pouco de sêmen e glitter prateado escorrendo por suas coxas.

- Nossa, Shouta... Wow... – Hizashi suspirou satisfeito, secando suor que escorria de seu rosto com as costas da mão.

A resposta de Aizawa veio apenas alguns minutos depois - Você tá bem? – Foi a primeira coisa disse.

- Mais do que bem! Eu te amo. – Hizashi sorriu, recebendo  um beijo molhado do esposo.

- Vamos tomar banho primeiro, depois tomamos um chá. Tenho que buscar o Hitoshi hoje a tarde para fazermos as compras. – Aizawa comentou de forma casual.

- Humm, está bem. Vêm cá. – Hizashi sorriu, esticando a mão para ajudar o esposo a se levantar.

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Uma hora depois

Senhor Whiskas, o gato de estimação de Shouta e Hizashi os aguardava ansiosamente na cozinha, com as patas sobre o pote de ração, enquanto miava faminto.

Aizawa não pode deixar de corar, sorrindo para o animalzinho, enquanto o pegava no colo a fim de acariciar sua cabeça. Hizashi preparava as canecas de chá ao mesmo tempo em que o moreno despejava  a ração de Whiskas no pequeno pote.

O casal se sentou à mesa da cozinha, ligando a televisão para ver se havia algo sobre vilões no noticiário. Com o café da manhã já a postos, conversaram sobre as tarefas que fariam naquele sábado, incluindo a carona que dariam a Hitoshi.

Fazia alguns meses em que o jovem aspirante a herói passava seus finais de semana com os dois profissionais, a fim de aprender o máximo de lições que podia para poder entrar na sala 1-A.

Tanto Aizawa quanto Hizashi adoravam o garoto, outrora muito tímido, mas que com certeza se tornaria um grande herói no futuro e ambos tinham certeza de que ele seria um dos mais brilhantes caso dominasse totalmente sua individualidade.

Depois do café da manhã, trocaram mais alguns beijos enquanto checavam a lista de compras e logo saíram de casa, dessa vez escolhendo um dos carros que Hizashi havia ganhado de alguns patrocinadores de seu programa da rádio.

Lá fora na rua, uma rápida ventania passou pelas frestas das janelas do carro e com ela, algumas pétalas de cerejeira invadiram o veículo.  A primavera era uma época especial, pois afinal, foi nessa época do ano em que Aizawa e Hizashi se conheceram e mal sabiam eles que aquele momento mudaria todo o curso de suas vidas e pelos anos que viriam.

Mais uma vez Aizawa suspirou, olhando pela janela e apenas agradecendo à primavera, que não trouxe apenas felicidade, mas também o amor de sua vida.

Fim