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Esse Amor

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Capítulo 1 - Cedendo ao desejo 

[JiYong]

Eu sabia que era loucura. Ninguém em minha posição faria uma coisa dessas, mas não conseguia mais me conter. Ali mesmo, no aniversário da YG Entertainment, eu estava transando com uma funcionária de cargo menor, dentro do meu carro, no estacionamento.

Começou com um toque sem querer, um olhar, um gesto de cabeça que indicava me siga, um beijo no corredor escuro. Deveria ter sido só um beijo, mas foi mais do que isso. A resposta do corpo, os suspiros de excitação, as mãos unidas enquanto descíamos para o estacionamento. Queria levá-la embora, mas precisava de mais antes de conseguir pensar com mais clareza.

Mo YunJi estava esparramada no banco do passageiro totalmente reclinado da minha Lamborghini, as camadas do vestido dela formavam um volume que eu queria que não estivesse ali. Me afastava da pele, me irritava. Achei que era mais fácil transar no banco, mas era necessário uma posição confortável que aquele vestido não permitia. Nenhum de nós estava confortável e em dado momento, não importava mais. Definitivamente, aquele carro não era o lugar ideal, mas não havia como parar o que acontecia.

Havia liberado um dos seios do corpete, após brigar de forma irritante com os laços que prendiam a peça. Mulheres e suas roupas complicadas. Eu as adorava em roupas como aquela, mas no exato momento, odiava a demora para alcançar a pele. A queria nua, minha mente gritava por isso, mas teria que me contentar com a pele que conseguia. Escutava a risada suave dela e ficava ainda mais excitado. Ela sentia minha ansiedade e eu sentia como ela estava querendo que eu fizesse exatamente o que estava fazendo.

Acho que nunca a havia escutado tir antes. Pelo menos, não para mim. YunJi sempre estava sorrindo, mesmo quando estava maquiando alguém com sua perícia notável. Nunca tinha sido em mim, eu preferia qualquer outro maquiador a ficar sob o olhar dela e mostrar a todos como ela me afetava.

Ela cheirava a baunilha. Nunca havia achado perfumes doces atraentes, mas esse me fazia sentir o gosto na pele dela. Abocanhei o seio exposto e ela se contorceu embaixo de mim, gemendo meu nome de forma gutural. Meu nome nunca tinha soado tão sensual antes. Era um apelo primitivo que eu necessitava atender. Enquanto cuidava aquela parte do corpo dela com a minha boca, minhas trabalhavam rápido me livrar da minha calça e depois puxar a calcinha dela.

Nos enroscamos mais uma vez, trocando beijos afoitos ao mesmo tempo que cuidávamos das peças de roupas que ainda estavam no caminho. Assim que foi possível, ela enrolou as pernas em mim e me puxou para cima dela. Esfreguei meu pênis na intimidade molhada e gemi. Eu nunca quis estar dentro de uma pessoa tanto antes em minha vida. Mal conseguia pensar.

“A proteção” ela murmurou, gemendo e balançando o quadril. Era tortuoso o movimento. “Por favor, seja rápido que não quero esperar”. E aí que estava todo o problema. Eu não tinha nenhuma camisinha comigo. Eu não fazia aquele tipo de coisa. Eu não transava no carro e não transava com pessoas fora de ambientes seguros.

Então, falei a primeira coisa que me ocorreu. Aquela pequena mentira que os homens contavam as mulheres para ter sexo com elas quando não deveriam ter. “Eu não tenho… Eu não vou colocar tudo” falei e sem perder mais tempo, deslizei para dentro dela. Era o começo, eu achei que podia controlar. Ela gemeu e fechou os olhos, colocando as mãos para cima da cabeça e agarrando o estofado de couro enquanto arqueava os quadris.

Nenhum sexo que já tinha feito podia ser comparado ao que estava vivendo. Ela era tão apertada que achei que não ia durar muito tempo. A sensibilidade experimentada estava arrancado o restante da minha sanidade com garras poderosas. Era para ser como eu havia prometido, mas não foi dessa forma. Uma vez dentro dela, eu fechei os olhos, mordi o lábio e movi meu quadril para frente e para trás, alucinando a cada movimento.

Terrivelmente quente e molhado. Nunca senti nada igual. Minha primeira vez assim. Meu corpo não conseguiu parar. Os gemidos dela me incentivaram. Ela me apertava cada vez mais. A beijei desesperado, sufocando aqueles sons que me enlouqueciam. Senti os dedos dela apertando meus braços com força, ela estremeceu embaixo de mim, gemendo contra minha boca. Uma série de contrações me apertaram ainda mais e meu orgasmo veio. Não sabia se tinha sido dentro dela ou totalmente do lado de fora, não tinha dado tempo de sair totalmente porque meu primeiro instinto era gozar dentro dela. Um instinto estranho e poderoso.

Deitei por um instante, tentando recuperar a consciência. Olhei para ela com o rosto vermelho e o batom roxo todo espalhado pela boca. Se eu continuasse a olhando, ia querer fazer novamente. O tesão que sentia por ela era descomunal. Sai de cima dela e pulei para o banco do motorista. Apanhei um pacote de lenços que Jennie havia esquecido no porta-luvas - sempre dava carona a ela, ficamos próximos desde que gravamos uma música juntos -, peguei alguns e entreguei o pacote a ela.

Não conversamos. Eu nunca conversei com ela. Desde o primeiro dia que a vi, eu quis conversar, tinha adorado o enfeite de caveira que YunJi usava nos cabelos loiros, mas eu nunca me aproximei. Tinha um sistema de proteção contra pessoas que me afetavam, procurava sempre ficar longe delas. Claro, até aquele dia isso tinha funcionado muito bem.

YunJi limpava as pernas com o seio para fora, ele balançava docemente, e quando notou que eu estava olhando, o cobriu, as mãos ajeitando o corpete. Eu quis ajudá-la porque queria tocá-la mais uma vez, mas não tinha certeza se poderia parar.

“Não precisa, eu estou acostumada a fazer sozinha” respondeu e com impressionante rapidez, ela amarrou os laços. Apenas observei, sentindo que o silêncio se tornava ainda mais incômodo. YunJi ajeitou o cabelo loiro e arrumou as saias do vestido preto. Não vestiu a calcinha e ajeitou as botas. Eu apontei para os lábios dela, desejoso por beijá-la mais uma vez e ela se mexeu, olhando no espelho retrovisor como eu havia arruinado a maquiagem dela. Com um dos lenços, ela começou a remover o batom e então, me avisou que eu estava com o mesmo problema.

Rimos. Eu estava tentando tirar e não tive sucesso. Virei o rosto para ela e YunJi veio ao meu socorro. Como maquiadora profissional, ela sabia remover sem maiores problemas. A estava encarando enquanto ela mantinha os olhos cor de avelã bem sérios no que estava fazendo. Queria beijá-la novamente. Queria entrar dentro dela novamente. Era por isso que eu não deixava ela me maquiar, minhas consciência se esvaia por completo.

“Vamos voltar?” ela perguntou.

“Sim, vão dar por nossa falta e não podemos deixar que saibam” falei e quase me arrependi. YunJi fez uma expressão triste e depois concordou com a cabeça. “Pode voltar primeiro, eu vou em seguida. Se alguém te ver, ainda pode arrumar sua maquiagem e dar essa desculpa. Olha, o que aconteceu aqui...”.

“Não fale nada” ela disse e riu “eu gostei e permiti. Vamos manter assim, por favor”.

YunJi abriu a porta do carro e saiu. Do lado de fora, ela terminou de ajeitar a roupa. O vestido preto de renda a fazia parecer uma criatura sobrenatural. Talvez fosse o efeito que ela quisesse dar, já que não escondia que adorava coisas góticas e fantasia. Ela sorriu, fechou a porta e foi embora, segurando a calcinha na mão. Apenas observei e quando ela fez o sinal que Lee DongSun-sshi fez no MV de Last Farewell, erguendo o dedo indicador, eu ri.

Ela era incrível.

Tentei dar um jeito na bagunça de lenços dentro do carro. O cheiro de sexo, baunilha e couro era inebriante. Fiquei um tempo ali, olhando para o banco reclinado, pensando no que tinha feito. Estava satisfeito e feliz. Simplesmente pensei que podia tê-la mais vezes. Que queria tê-la mais vezes. Havia tantos problemas com esse pensamento, nem podia mensurar o escândalo que daria se alguém soubesse e como seria julgado. Minha carreira estava indo muito bem e não queria prejudicar a minha imagem, já tive minha cota de escândalos e não podia mais abusar da sorte.

Me arrumei melhor depois que sai do carro e fiz o mesmo trajeto que YunJi, de volta a festa. Só passei no banheiro do andar inferior para me lavar e tentar não levantar suspeitas, embora achasse que seria difícil.

Havia uma política conhecida na YG sobre funcionários não terem envolvimento amoroso. YunJi não seria funcionária por muito tempo, eu sabia que o contrato dela iria acabar e raramente havia renovação com figurinistas e maquiadores. Antes, eu acreditava que estava tudo bem se ela fosse embora, não iria mais vê-la e nada sairia do controle. Agora, depois que o descontrole tomou conta, eu queria que ela ficasse e que tivéssemos mais desses momentos.

Subi pela escada, querendo botar ordem em meus pensamentos. Para uma pessoa que se vestia sempre de preto e tinha ar mórbido, YunJi tinha uma boa aura e fizera amizades fáceis. Diziam que ela tinha um caso com Zion T porque era sempre vista com ele, eu mesmo já os tinha visto tomando café juntos ou na área externa, tomando bebidas enlatadas. A proximidade deles me incomodava, mas eu disfarçava minhas preocupações com coisas mais reais.

A festa tinha andando muito bem sem nós dois. O lugar estava enfeitado com balões e faixas, um bolo imenso ocupava uma mesa num dos cantos. Todos os funcionários estavam ali, desde o pessoal da limpeza aos idols da companhia. Era a segunda festa do ano, havia uma de final de ano. As demais, eram aniversários ou pequenas celebrações. Eu apanhei um copo de bebida e me aproximei de SeungRi que estava conversando com algumas trainees que eu não sabia o nome. Meus olhos vagaram pelo salão e vi YunJi conversando com Zion T. A maquiagem estava refeita e os lábios estavam pintados de roxo novamente. Será que ela ainda estava sem a calcinha? Meu sangue ferveu nas veias ao observá-la de costas e imaginar que ela não vestia nada por baixo do vestido. Desviei o olhar e bebi toda a bebida do meu copo num único gole. Minha garganta continuava seca.

Era o momento de me concentrar em coisas reais. Eu e aquela garota não tínhamos nada em comum. Vivia repetindo isso, mesmo agora que voltei a olhá-la. Ela riu, jogando a cabeça para trás e tocou o braço de Zion T com intimidade. Um toque leve e rápido. Ele sorria como um idiota que tinha a atenção do amor de sua vida. As coisas reais sumiram da minha frente e fiquei terrivelmente ciumento.

Certamente era culpa do sexo feito com paixão. Ainda estava sob o efeito de YunJi. Desde que cheguei naquela festa, eu parecia estar sob o feitiço dela. Assim que a vi, tudo o que mais queria era estar com ela. Sentíamos tesão um pelo outro. A bebida apenas me encorajou e o beijo no corredor - me excitava com a ideia de ser flagrado - tinham levado ao sexo. Ela fazia meu tipo, eu gostava do ar dark, eu gostava das meias que marcavam as pernas, gostava dos acessórios, gostava da atitude.

Era certo que havia mulheres muito mais bonitas que ela naquela festa, com vestidos de marcas famosas e que acentuavam as formas do corpo, mas eu só tinha olhos para YunJi. Claro que o desejo não deveria justificar o que houve, sexo sem proteção, mas eu não consegui me controlar e ela não me deteve. Era magia.

Eu não sabia que as trainees haviam ido embora. Apenas notei a falta delas quando SeungRi parou do meu lado e enfiou as mãos no bolso da calça branca. “Ela é linda” comentou, olhando na mesma direção que eu. Estaria ele reparando na forma como o cabelo de YunJi se mexia com suavidade? Sim, ela era linda. Queria que ela estivesse sorrindo para mim agora. “Devia ir falar com ela, hyung… Talvez não aqui na festa, mas fora dela. Tenho certeza que ela não o recusaria”.

“Não recusaria” confirmei. O beijo no corredor voltou a minha mente, quando eu segurei o rosto dela com cuidado e beijei os lábios acreditando que seria um beijo rápido e descobrindo, tarde demais, que não seria. Ela abriu os lábios para mim e retornou o beijo com a mesma voracidade. Soube que havíamos nos entendido. O gosto dela ainda estava na minha boca.

Nesse momento, YunJi parou de rir e olhou para trás por sob o ombro. Nossos olhares se cruzaram e ela abaixou a cabeça, escondendo o rosto atrás das mechas loiras. Será que ela sabia que eu estava pensando nela dessa forma louca? Era tão adorável que me fazia pensar se eu poderia atravessar o salão e tomá-la nos braços na frente de todos.

“Queria eu ter uma chance com ela… Deve ser uma beleza nua na cama”, SeungRi disse e suspirou. Eu o olhei, furioso com a imagem mental dele com YunJi. Não! Ele veria a expressão fofa e saborearia o corpo delicioso. Jamais permitiria isso.

“Não pense em uma coisa dessas” murmurei, irritado.

“Você acha que teria chances? Jennie-sshi sempre fala de você… Ela só enxerga o hyung, ela nunca olharia para mim”. SeungRi declarou com uma voz calma e bebeu um gole do uísque com gelo que tinha em mãos. Jennie? Afastei meus olhos de YunJi e notei que Jennie estava próxima. A súbita raiva cedeu quando entendi que SeungRi não estava falando de YunJi. Fiquei aliviado e olhei para o chão. Não era ciumento, mas havia algo com aquela garota que me deixava assim. “Vocês sempre estão juntos… E você não para de olhar para ela”.

Girei nos calcanhares, dando as costas a direção onde as garotas estavam. “Não fique pensando sobre coisas que não existem. Eu não tenho qualquer interesse em Jennie-yah”.

“Sei… Então estava olhando para Zion T e YunJi? Todo mundo sabe que eles tem um caso e aquele maldito nem esconde isso… Vai acabar sendo demitido...” ele comentou, parecendo genuinamente preocupado.

Ter escutado isso fez eu perder qualquer animação de ficar na festa. Não queria lidar com o ciúme ou ficar olhando o casal da companhia. Olhei por uma última vez, querendo acreditar que não havia mais demais entre eles, embora fosse claro que havia algo. Dei um toque no ombro de SeungRi, me despedindo e fui embora.