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Shared Gravity

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Yuri resmungou e se revirou em seu sono, apertando seu cobertor mais forte ao redor dos ombros. Alguma coisa o estava puxando às bordas de sua consciência e ele não gostava disso. Se remexeu e se revirou durante mais ou menos uma hora, tentando não prestar atenção no que ameaçava tirá-lo da doce neblina de seus sonhos, até que isso fosse forte demais para ignorar.

Tudo o que ele queria era dormir. Victor vinha fazendo-o treinar mais que pesado já há alguns dias, o russo excepcionalmente atento a cada minúsculo erro no programa. Já era agosto, e o bloco de campeonatos iria começar já daqui a um mês e meio.

Gemeu enquanto abria os olhos, se perguntando o que o tinha despertado tão cedo em seu dia livre. O Sol ainda iria clarear o horizonte e uma profunda luz azul iluminava o quarto. 

Ele estava duro feito pedra, muito mais excitado que o normal para um ereção matinal e isso era bem desconfortável.

"Que merda é essa?" Resmungou, brevemente se questionando que tipo de sonhos teve.

Talvez eu consiga mais algumas horas de sono se cuidar disso.

De algum modo, o mero pensamento de alívio o deixou ainda mais duro, algo que ele teria argumentado não ser possível apenas alguns segundos antes. Mas o pensamento também pareceu errado. Ele sentia que não iria se satisfazer apenas com as próprias mãos.

Bem, uma corrida então. Vai clarear minha mente

Yuri colocou de lado as cobertas e sentou na beirada da cama, esfregando as palmas das mãos sobre os olhos para espantar o sono.

Se levantou, se espreguiçou e respirou profundamente. O aroma o acertou em cheio.

Mas. Que. Porra?

Yuri rosnou baixo em sua garganta, a frustração sexual e a irritação de mais cedo mudando rapidamente para raiva.

De todas as coisas irresponsáveis.

Yuri vestiu uma calça de moletom e uma camisa leve, cuidadoso com sua ereção persistente. Uma série de pensamentos rondando sua cabeça.

Isso não vai embora tão cedo.

Eu vou matar ele...

O que em nome de Deus fez ele pensar que essa era de longe uma boa ideia?

Ele é tão estúpido a ponto de se deixar inebriar por algum dos fãs?

Deus... Esse cheiro!

Ele é realmente incapaz de ficar alguns poucos meses sem sexo?

Yuri rosnou de novo. O aroma era intenso mesmo dentro de seu quarto, e ele estava feliz por ter tomado supressores. Se ele fosse algum dos alfas que não toma, não tinha certeza se seria capaz de se conter no estado em que estava, ainda grogue.

Entrou pisando forte no corredor, a poucos passos do quarto de Victor. O aroma avassalador estava ainda mais forte. Ele bateu na porta, ainda mais irritado.

"Que inferno Victor? Essa é uma pousada tradicional! Não é seguro trazer qualquer ômega solteiro e no cio para uma sessão de sexo! Pelo amor de Deus você nem tem uma tranca na porta! Você não podia fazer isso na casa dessa outra pessoa?"

Em vez de uma resposta, o questionamento de Yuri foi respondido com grunhidos desesperados e ofegantes.

Yuri podia sentir o cheiro de raiva saindo de si. Normalmente ele não ligaria para algo tão simples quanto sexo casual. Quem era ele para julgar os hábitos sexuais de seu treinador? Mas isso já era muito irresponsável. Rangeu os dentes. Precisava deixar claro que o casal teria que se realocar o quanto antes. Nunca era uma boa ideia realocar um ômega no cio, mas isso precisava ser feito antes que qualquer hóspede alfa pudesse sentir sequer um sopro daquele cheiro.

Aquele sedutor, exigente, suplicante aroma.

"Merda Victor, você podia pelo menos me respon..." Yuri resmungou ao mesmo tempo em que abria a porta.

O poderoso aroma o atingiu com toda a força, mas isso não foi o que o fez parar no meio da frase.

A raiva que estava emanando de Yuri se transformou imediatamente em desejo.

Em vez de um casal, ele encontrou Victor esparramado na cama, ofegante e com um rubor brilhante no rosto. Uma de suas mãos envolvia seu pênis, dedos da outra mão pressionados em seu ânus. Os cobertores e travesseiros da cama foram rearranjados no que só podia ser descrito como um ninho.

Porra.

Victor... É um ômega?

Yuri não estava ciente do rosnado baixo que saia de sua garganta no momento em que deu um passo para dentro do quarto.

“Yuri…” Ofegou o homem de cabelos platinados.

Ele inconscientemente deu outro passo, cada um de seus instintos em alerta. Havia um omega no cio bem na sua frente, implorando para que ele fosse seu Alfa.

O rosnado se aprofundou e o olhar de Victor ficou mais esperançoso, alternando entre o rosto de Yuri e a visível ereção em suas calças.

“Você… é um ômega?” Yuri perguntou

“Yuri…” Victor implorou, tentando se mover de maneira provocante, esperando ser capaz de seduzir o homem mais novo.

Yuri levantou sua camisa sem pensar, realmente pretendendo oferecer a peça ao ômega deitado como algo para adicionar em seu ninho.

Seus próprios feromônios entraram em suas narinas quando o tecido cobriu sua cabeça, e, por um breve momento, Yuri sentiu a mente clarear.

Ele podia ouvir os gemidos necessitados de Victor, mas manteve o tecido sobre a cabeça por um minuto, retomando seus sentidos antes de voltar a vestir propriamente a camisa.

Os gemidos de Victor se intensificaram assim que ele percebeu que Yuri não estava se despindo. Ele saiu de seu ninho, parando sua auto-estimulação numa tentativa de se aproximar do alfa no quarto.

Yuri deu um passo para trás. “Não Victor. Você não está em condições de consentir agora.”

Cada fibra de Yuri queria se render ao desejo, arrancar as próprias roupas e foder incessantemente o homem à sua frente; marcá-lo por dentro e por fora.

Os lamentos de Victor aumentaram quando Yuri andou de novo para trás. “Yuri… Alfa…”

Yuri balançou a cabeça em discordância. Ele estava quase de volta no corredor e embora o cheiro ainda fosse forte, estava mais fácil respirar com o ar fresco entrando pela porta.

“Eu não posso te dar o que você quer Victor.” Yuri disse no melhor tom autoritário e ao mesmo tempo calmo que conseguiu. “Você precisa tomar conta disso por si mesmo.”

Os olhos de Victor não se desviaram do rosto de Yuri enquanto ele acariciava o próprio pênis.

Yuri acenou com a cabeça e soltou um pouco de seus próprios feromônios no ar, grunhindo suavemente. “ Isso mesmo Victor, mostre-me o bom ômega que você é.

O homem mais velho fez um som de satisfação diante do elogio.

Ele está agindo puramente por instinto. Ele está se rendendo a mim.

“Você vai ser bom para mim e cuidar disso sozinho hoje". Yuri ordenou, lutando contra seus próprios desejos no momento em que Victor liberou uma explosão de feromônios. “Você pode ser bom?”

Yuri soltou mais de seu próprio cheiro, um sinal de que o ômega estava sob sua proteção.

Victor inspirou e gemeu. Mesmo que Yuri não o tenha tocado, o homem mais novo o reivindicou enquanto aquele cio durasse. Ele faria qualquer coisa que seu alfa quisesse.

“Volte para o seu ninho por mim Victor.” Yuri ordenou. “Seja bom e cuide de si mesmo. Eu vou te proteger.”

Uma névoa de desejo e submissão obscureceu os olhos de Victor, logo em seguida, ele rastejou de volta para sua cama. Se encolheu em cima das cobertas e retornou a si estimular enquanto Yuri recuava para o corredor e fechava a porta.

Yuri respirou trêmulo, ainda com raiva e ostentando uma ereção que sabia, não iria diminuir tão cedo. Fechou os olhos e liberou o quanto pôde de seu próprio cheiro bem em frente a porta.

Movido quase que inteiramente por instinto, se deslocou para a ponta do corredor. Ele sentou no pequeno espaço, bloqueando o caminho de qualquer um que tentasse alcançar Victor.

Yuri percebeu movimento na forma de uma sombra que se aproximava por um corredor adjacente. Grunhiu baixo em advertência.

“Yuri?” Mari perguntou, aparecendo cautelosamente na ponta do corredor.

Ele respirou aliviado. Mari é uma beta, ela é da família, ela é segura.

Agora todo o corpo dela podia ser visto, estava carregando roupas da pousada. “Yuri?” Ela repetiu. “Você está bem?”

Yuri balançou a cabeça discordando “Eu vou precisar da sua ajuda.”

Mari cheirou o ar. Seu nariz se retorceu ao sentir o cheiro de seu irmão tão forte, mas rapidamente detectou outro cheiro um pouco mais fraco que também estava muito presente no ar. Os olhos dela se arregalaram.

“Ele está…?”

Yuri confirmou com a cabeça e os olhos dela ficaram ainda maiores.

“ele é…?”

Yuri confirmou.

“Merda Yuri! Você é um alfa! Você precisa sair daqui!”

Yuri balançou a cabeça. “ Eu não posso. Ele está se submetendo a mim agora. Eu preciso estar perto o bastante para manter meu cheiro no ar. Se eu sair, isso provavelmente vai afligi-lo.”

“Então, o que você vai fazer?”

“Sentar bem aqui e protegê-lo”

“Você pode aguentar isso? O dia todo?”

Yuri olhou para o quarto de Victor. “ Eu… Eu preciso. Ele está muito vulnerável sem a proteção de um alfa. Além disso meus supressores estão ajudando melhor agora que eu estou um pouco mais distante.”

“Ele te contou? Que o cio dele estava perto? Que ele é um ômega?”

Yuri negou. “Nem uma palavra, eu me pergunto se ele mesmo percebeu. Quanto ao porquê de ele nunca ter dito ser um ômega, provavelmente foi pelas mesmas razões que as minhas. Os estereótipos são sufocantes.”

“Merda.” Mari disse. “Podemos movê-lo para um lugar mais seguro?”

Yuri negou. “ Ele está muito entregue ao desejo do cio e… ele já fez um ninho.”

“Porra”

“Sim”

Houve um momento de silêncio.

“Certo Yuri. O que você precisa?”

“Mantenha todo mundo longe. Os únicos a passar da cozinha são você, papai e mamãe. Eu já estou lutando, se tiver que fisicamente afastar um alfa eu posso acabar cedendo e marcando Victor como meu. Até os funcionários precisam manter distância, meus instintos estão muito aguçados para confiar em alguém, exceto na família.”

Mari concordou.

“Eu não acho que ele se preparou, então, garrafas de água, um monte delas. Ele vai precisar se manter hidratado, mas eu não quero correr o risco de vidro se quebrar. Também, comida. Se possível, peça a mamãe para fazer uma das sopas frias dela, assim podemos fazê-lo beber água também através da comida e não nos preocuparmos com o fato de a sopa esfriar.”

Mari concordou de novo e se virou para fazer o que foi pedido.

“Ah Mari.”

Ela se virou de novo.

“Toalhas. Quantas você puder pegar da pousada.”

Ela acenou em concordância e correu para avisar seus pais e os empregados sobre a situação.

Yuri encostou a cabeça na parede e se moveu de modo a ficar deitado no corredor. Ele olhou para o quarto de Victor e engoliu em seco diante dos sons lascivos que podiam ser ouvidos vindos do quarto.

“Vai ser um longo dia”