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Published:
2022-09-13 16:43:57 UTC
Original:
Five Things Francesca Coppa Said
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Cinco coisas que um membro da equipe voluntária da OTW disse

Neste mês a OTW (Organização para Obras Transformativas) faz 15 anos!

Como parte das comemorações, estamos publicando uma edição especial do post Cinco Coisas com uma das nossas fundadoras, Francesca Coppa. Nesse post você vai ler as memórias de Francesca sobre os primeiros dias da OTW e os desafios enfrentados pela organização desde então. Também vamos fazer um desafio de conhecimentos gerais (disponível apenas em inglês) e um desafio de obras de fãs. Se você quiser mais informações, por favor acesse a versão em inglês da publicação de aniversário da OTW.


Com certa frequência a OTW faz um post de perguntas e respostas com um membro da equipe voluntária da OTW sobre suas experiências na organização. As publicações representam as visões pessoais da pessoa entrevistada e não refletem necessariamente as visões da OTW ou constituem políticas da OTW.

Como o seu trabalho voluntário se encaixa nas atividades da OTW?

Eu já tive tantas posições na OTW desde que ela começou em 2007. Antes mesmo de sermos uma organização, eu era responsável por organizar todas as muitas e muitas pessoas que se apresentavam como fãs querendo voluntariar. Depois, fui parte do Conselho por cinco anos e, ao mesmo tempo, fiz a Comunicação e ajudei a criar o Open Doors (Portas Abertas), e trabalhei com Fanvideos e Multimídia.

Fui convocada para vigiar os wireframes quando estávamos construindo a experiência de usuárix do Archive of Our Own – AO3 (Nosso Próprio Arquivo); isso foi divertido e bem diferente da minha área de atuação! Hoje eu atuo mais na área acadêmica e jurídica da organização; eu redijo argumentos (por exemplo, eu trabalhei no caso Dr. Seuss/Star Trek) e presto testemunho quando o Jurídico da OTW precisa, e também trabalho com a Transformative Works and Cultures – TWC (Culturas e Obras Transformativas), procurando papers e revisando. O Comunicação também sabe que estou à disposição se precisarem, e eu ainda dou entrevistas e oriento jornalistas sobre fandom. (Embora muitas pessoas que hoje trabalham com jornalismo também sejam fãs, o que facilita muito!)

Como é uma semana típica de voluntariado para você hoje?

O trabalho que faço hoje é muito mais sasonal do que semanal. A TWC continua publicando duas (às vezes até três!) edições revisadas por pares todos os anos, o que é incrível; como eu digo com frequência, existem publicações financiadas por universidades e com equipe paga que não mantêm essa frequência! A maior parte das publicações existe por poucos anos e depois deixa de publicar novas edições, mas nós continuamos com força. A área acadêmico-jurídica tem grande foco em prazos; as situações surgem e precisam de respostas rápidas. (E parabéns à equipe incrível do Jurídico da OTW, que garantem que tenhamos voz nas situações legais que nos afetam.)

Quando você pensa no passado da OTW, o que mais lhe surpreende sobre o ponto em que a organização chegou hoje?

Que existem algumas pessoas—até mesmo pessoas que nos adoram—que não percebem que a OTW é um projeto de fãs e não um negócio! Que ela foi criada por um grupo de fãs que se cansou de ser maltratado pelas forças do mercado! Eu acho que muitas pessoas hoje não se lembram da internet pré-capitalista; elas acham que tudo tem que ser um negócio. O modelo sem fins lucrativos da OTW pode ser confuso para algumas pessoas—pois o fandom paga para que ela continue existindo, mas nem todo mundo paga.

A OTW faz angariação de fundos para que quem pode pagar apoie quem não pode, seguindo o modelo de TV ou rádio públicos dos Estados Unidos, e todo mundo pode usar nossos projetos, independente de sua possibilidade de pagar por eles. Mas eu acho que existem pessoas que não acreditam que algo tão grande e bem sucedido (e estou falando de toda a OTW, não apenas o AO3, mas também a TWC e o Jurídico da OTW, elaborando memoriais amicus curiae e sendo reconhecida pelo governo como uma instituição importante, etc.) opera fora da lógica de mercado. Nós pagamos por servidores (e somos proprietários deles), mas todo o trabalho é doado pelo fandom, desde o Conselho e tudo mais. E para ser sincera, o trabalho é inestimável, não apenas economicamente (embora também assim!), mas também no que diz respeito ao investimento apaixonado do fandom na organização. A OTW é algo criado pelo desejo e trabalho de muitas pessoas; é um barco que construímos e que só funciona porque novas pessoas continuam aparecendo para continuar o trabalho.

O que mais lhe orgulha sobre suas conquistas com a OTW?

O olhar no rosto de meus alunes quando descobrem que estive envolvida na criação da OTW. De uma hora para outra, sou uma estrela do rock! Todes têm contas do AO3. Eu me lembro de um tempo quando tinha medo de as pessoas descobrirem meu envolvimento com fandom, e hoje minha faculdade o promove como algo importante: o AO3 ganhou um prêmio Hugo!

Qual foi o maior (ou os maiores) desafios para o desenvolvimento da OTW?

Vixe. Houve e ainda há desafios. Quando a mão de obra é doada, sempre existe uma tensão entre o que precisa ser feito e o que as pessoas gostam, querem ou são boas em fazer. Não é surpreendente que muitas pessoas não querem fazer voluntariado usando as mesmas habilidades que usam no seu dia a dia profissional; elas querem um descanso do trabalho! Mas existe um ditado que diz que o jardineiro toca piano para se divertir, e o pianista cuida do jardim. Eu sempre achei que fandoms são assim, e a OTW também.

Fico sinceramente comovida pelo trabalho feito pela equipe da OTW, que tantas pessoas se apresentam e fazem as coisas acontecerem. Eu acho que o talento e a capacidade de resposta da OTW é impressionante para uma organização onde ninguém recebe pagamento. E o fandom também sabe disso—na minha opinião, funcionamos melhor do que quase todos, senão todos, os sites visando lucro, e somos mais profissionais do que a maioria dos sites sem fins lucrativos. (Não que consigamos perfeição, longe disso, mas as pessoas que reclamam nunca apresentam alguém que esteja servindo melhor, pois ninguém está: alguns problemas são simplesmente complicados.)

Dito isso, agora que crescemos tanto, quando penso no futuro…assim, na minha opinião, nosso próximo nível não é conseguir “um pouco” mais de dinheiro do que o que já arrecadamos, mas sim uma arrecadação em outra magnitude, uma outra escala financeira. É um pouco como (algumas pessoas lendo isso vão entender o que estou dizendo) quando alguém pergunta o que você quer de aniversário e você diz “Nada”, mas o que você quer dizer é “Nada que você possa me dar de aniversário—eu preciso de, tipo, um sofá, pintar a casa. Preciso de uma nova transmissão para o meu carro."

E se nós conseguíssemos angariar esse volume de dinheiro, bem—como a grande Cyndi Lauper disse com sabedoria, “Dinheiro muda tudo." Se nós tivéssemos uma OTW com pessoas pagas que pudéssemos mandar fazer as coisas, não seria mais o mesmo tipo de organização. Então, eu não sei, mas estamos indo muito bem até agora de acordo com todas as métricas razoáveis (ela diz, cheia de orgulho) e não existe nenhum motivo para que isso mude. Fandom se reimagina, regenera e inventa; é o que nós fazemos!

Quais atividades de fãs você gosta de fazer?

Fandom é menos o que eu faço e mais um lugar onde eu vivo; eu me acomodei nesse ambiente há, o quê, uns quarenta anos? É a minha cidade! Fãs são vizinhes, algumas pessoas que conheço há décadas, e às vezes novas pessoas se mudam para cá enquanto outras mudam daqui. Então, quero dizer—sim, claro, eu ainda leio e beto fics, assisto vídeos de fandoms que me interessam, mas eu também me sinto uma cidadã de fandom, sentada na minha varanda, assistindo o que acontece sem ter que me envolver sempre. Eu me interesso, é o que eu quero dizer; quero saber quais são os grandes fandoms, quero entender as piadas, falar a língua: eu quero reconhecer todos os blorbos, mesmo que eu não me envolva como fã daquelas séries.

Eu acho que meu limite é o TikTok. (Suspiro… mas eu já disse isso antes, então sabe como é: nunca diga nunca.)


Agora que nossa voluntária disse cinco coisas sobre o que ela faz, é a nossa vez de pedir mais uma coisa! Fique à vontade para perguntar sobre seu trabalho nos comentários. Ou, se você quiser, você pode acessar outras publicações de Cinco coisas.


A OTW é uma organização sem fins lucrativos responsável por vários projetos, incluindo AO3, Fanlore, Portas Abertas, TWC e Ativismo Jurídico. Somos uma organização administrada por fãs, mantida por doações e com uma equipe inteiramente voluntária. Para mais informações sobre nós, visite o site da OTW. Saiba mais sobre a nossa equipe de Tradução, que traduziu esse post, na página do comitê de Tradução.