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mapa astral

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ii. aldebaran (alpha tauri)

#ação ou efeito de agasalhar.
#maio de 2000
#your heart is a river that flows from your chest

Mello estava preguiçosamente estendido no chão de uma das salas da Wammy's House. Ele gostava dessa sensação - não ter nada para fazer no domingo. Geralmente, Mello é pura agitação, mas naquela tarde de maio ele se sente prazerosamente parado. Além do mais, chovia do lado de fora, e o barulho das gotas grossas de chuva batendo no vidro era uma melodia estranhamente agradável.

"Odeio isso," resmungou Serena, encolhida em um sofá. Mello levantou-se preguiçosamente nos cotovelos, o cabelo loiro comprido demais na frente, quase tapando seus olhos. Serena ergueu as sobrancelhas para ele. "Pensei que você estivesse dormindo."

"Quase," ele respondeu, sorrindo. "Mas no momento que eu estava quase dormindo uma abelha raivosa zuniu e eu acordei."

Serena revirou os olhos. "Você é um tremendo idiota, Mello."

Mello apenas alargou o sorriso, olhando para ela. Percebeu então que Serena abraçava o corpo inteiro, com as bochechas coradas. Ah, sim. A garota mais friorenta da Wammy's House. Serena sempre detestava o inverno; devia estar feliz com seu fim próximo, mas ainda assim, aquela chuva e súbita queda de temperatura deviam tê-la pegado de surpresa.

Ele havia se deitado sobre um cobertor; então, sem nem pensar muito sobre isso (apenas porque parecia certo), ele se levantou, pegando o cobertor na mão e sentando-se ao lado dela no sofá. Serena estava, como sempre, com o cenho franzido. No meio da ação de cobri-la com o próprio cobertor, Mello sentiu-se particularmente feliz. Lá estava Serena, de cenho franzido. A familiaridade de tudo aquilo aqueceu-lhe o coração. Ela quase pareceu surpresa com o gesto dele, mas não protestou. "Esse cobertor é o suficiente apra nós dois, certo?" Mello disse, agasalhando-se junto a ela.

Serena parecia desconcertada. Mello estranhou. Serena havia chegado lá com sete anos, o que significava que fazia três anos que eles se conheciam, e ele nunca a tinha visto parecer desconcertada. "Tá tudo bem?"

"Sim," ela murmurou, encolhendo-se mais. Mello sorriu, sentindo um impulso de abraçá-la, mas apenas ficando perto dela. Serena continuava com aquela bendita testa enrugada que Mello tanto adorava.

"Melhorou o frio?"

Serena assentiu. Mello, muito satisfeito, encostou a cabeça no ombro dela, fechando os olhos. Poderia cochilar agora. O barulho da chuva e da respiração de Serena contra a sua bochecha o deixavam cada vez mais sonolento. E antes de adormecer, pensou que estava muito melhor dormir assim, aconchegado pelo calor do cobertor e da pele de Serena, do que apenas no chão da sala.