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conundrum

Work Text:

N sempre foi a maior das incógnitas com as quais você já se deparou, mesmo com o passar do tempo e dos inúmeros trajetos que você já percorreu em sua busca. Quase infrutiferamente, como se perseguisse a própria sombra.

Os dias correm e se acumulam em semanas, meses e anos sem que você perceba, sempre em seu encalço. As memórias se repetem de maneira contínua enquanto você pensa vê-lo num borrão verde em meio à multidão — numa fração de segundo, num vislumbre de canto de olho —, e tornam-se cada vez menos suas, cada vez mais algo que se assemelha a um sonho distante com um final agridoce.

(De certa forma, não deixa de ser. Ao menos não quando você acorda no meio da madrugada, ainda sentindo o torpor do descanso e os olhos pesados, mas com a imagem do sorriso dele gravada a ferro em brasa nas profundezas de sua mente. É sempre misterioso, repleto das ideias que ele julga como justas, mas também é sempre triste. Nunca alcança seus olhos.)

Vez ou outra, o peso dos passos tomados em vão e dos fracassos vai se somando às suas costas e quase — tão somente quase — é o suficiente para fazê-lo fraquejar, mas você continua a vagar pelo mundo atrás dele, colecionando lembranças, suspiros e qualquer outra coisa que um mundo tão vasto possa oferecer.

Afinal, N continua a ser a maior das incógnitas com as quais você já se deparou (e é por isso mesmo que você não irá desistir de solucioná-la com tanta facilidade).