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in our bedroom, after the war

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— Não consegue dormir? — Johanna pergunta, sentindo a pele morna de Katniss remexer-se sob o lençol fino que finge ser o suficiente para encobrir as duas. Do lado de fora, ela observa através da janela, a tonalidade do céu começa a mudar, ainda misturada à névoa do bosque.

— Eu sonhei com a Prim de novo — Katniss murmura, o olhar fixo na sombra fraca estampada na parede, e a mais velha sabe exatamente o que isso significa. O braço inerte com o qual Johanna envolve sua cintura passa a descrever círculos lentos sobre o trecho diminuto de pele morena que o cobertor deixa escapar, numa tentativa discreta de afago que não se encaixa muito bem a nenhuma das duas. — Mas dessa vez eu a vi com vida.

— Não sei se isso é algo que me faça sentir pena ou inveja — ela suspira, enterrando o nariz nos cabelos da outra pelo mais breve instante, deixando o cheiro dos fios negros impregnar seu olfato. O arremedo de sarcasmo em sua voz não é suficiente para esconder os pequenos sinais de hesitação, do dano já feito. — Não tenho mais de quem lembrar há muito tempo.

— Dá no mesmo — a mais nova sussurra. Fica em silêncio por alguns minutos, sentindo o coração de Johanna e o uivo da brisa gélida que a noite traz. — Só machuca. E eu ainda tenho medo. 

— Eu só tenho ódio — e a voz de Johanna, soando ironicamente quieta, não é mais que um sopro o qual Katniss tem de se esforçar para ouvir sobre os ruídos da vida que não dorme do lado de fora, assim como ela mesma e todos os fragmentos de um passado que a aterroriza.

(Johanna não demora a adormecer ao que as primeiras nuvens da madrugada começam a se dissipar, tingindo o amanhecer de alguma cor turva a qual Katniss não se dá o trabalho de nomear enquanto traceja sem qualquer pressa as cicatrizes no braço que a segura com firmeza. Não é um repouso tranquilo, como jamais poderia ser novamente, mas é a maneira que a mais nova encontra para agradecer pela vigília na qual ambas se revezam quase todas as noites, arrancadas da tranquilidade por reprises de horrores passados e vozes rasgadas em gritos.)

(E pela manhã, quando Katniss reúne todas as forças em si para deixar o conforto da cama simples e observa Johanna roncar baixo, tudo parece fazer um pouco mais de sentido.)